Descansa no Senhor, e espera nele; não te enfades por causa daquele que prospera em seu caminho, por causa do homem que executa maus desígnios. Salmos 37.7


E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus. Filipenses 4:7


caixinha de promessas

04/08/15

Corpo, Alma e Espírito

Corpo, Alma e Espírito

Agora, quando ilustramos as coisas sobre as quais vamos falar, você entende que estamos aceitando a Bíblia como a autoridade final para todas as regras de fé e prática. Quando dizemos, “a Bíblia é a autoridade final em todas as matérias de fé e prática”, não estamos confinando-a às regras religiosas. Quero dizer, algumas vezes os irmãos nos acham errados. Quando eu digo que a Bíblia é a autoridade em todos as regras de fé e prática, quero dizer, sem apologia, que eu creio que a Bíblia é capaz de corrigir qualquer doutor, advogado, cirurgião, cientista, físico, bispo ou matemático que já tenha existido. Não colocamos a Bíblia em qualquer terceiro ou quarto lugar onde ela tenha o exato controle sobre uma área limitada. Julgamos os esportes pela Bíblia. Julgamos a arte pela Bíblia. Julgamos a música pela Bíblia. A Bíblia é a autoridade final em todos os assuntos de fé e prática.

Tudo bem, na 1 Tessalonicenses 5:23-24 (e você pode imaginar que se alguém pode comprar uma Bíblia, ele poderia ter descoberto isto há anos), você sabe o que é um homem. Nesta passagem Paulo diz: E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo, seja, plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de no Senhor Jesus Cristo. Fiel é o que vos chama, o qual também  o fará”.

Agora olhemos cuidadosamente esta passagem. Se ela não concordar com o que dizem os psiquiatras, então podemos desconsiderar o que eles dizem. Conforme este verso, o homem tem um corpo, uma alma e um espírito. Você vê isto? Os versos dizem que um ser humano tem um corpo, uma alma e um espírito. Se isso é  correto – e não tenho sobre isso a menor dúvida – então o homem tem uma natureza tríplice. Ele é feito de corpo, alma e espírito. Se isso é verdade, você já verificou em que confusão estamos metidos? Se isso é verdade, significa que no Edifício das Nações Unidas em Nova Iorque, temos uma porção de homens sentados para falar sobre os problemas da humanidade e sobre como corrigir os homens, sem sequer saber o que é o homem. O que seria mais lastimável do que um médico, com três graus de doutorado, sentado num consultório, cobrando das pessoas cem dólares por hora, para falar dos problemas delas, sem saber sequer o que é o homem? Você é corpo, alma e espírito. Daí porque a Bíblia diz que o homem foi feito à imagem e semelhança de Deus (Gênesis 1:27). Quando o homem foi formado, Deus o fez “...do pó da terra, e soprou em suas narinas o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente” (Gênesis 2:7). O homem tem um corpo. O homem tem uma alma. O homem tem um espírito. Deus tem um corpo – Jesus Cristo. Deus tem uma alma, Deus o Pai, Deus tem um espírito – o Espírito Santo. O homem foi criado à imagem e semelhança de Deus e, assim, tem uma natureza tríplice.

Qualquer coisa na terra pode ser dividida em “três partes” antes de ser considerada. Se vocês querem ver a que extensão vai chegar, vejam o tempo, o espaço e a matéria. Quero dizer que a energia é alguma coisa fora da matéria que foi transformada ou abandonada em força. Há exatamente três coisas por aí – tempo, espaço e matéria. Você divide o tempo em passado, presente e futuro – três coisas. Você divide o espaço e obtém comprimento, largura e profundidade – três coisas. Sempre se chega a três em cada exemplo. Existe a atmosfera, a ionosfera e a estratosfera. Fora estas existe a exosfera. De um lado do Atlântico temos a América do Norte, a América Central e a América do Sul. Do outro lado do Atlântico temos a Europa, a África e a Ásia. As pessoa vêm de três estratos – mongoloide, negroide e “caucasóide”. O mesmo acontece com a música, com a arte, com a cor e com tudo o mais. Uma família é formada de homem, mulher e filhos. A Bíblia foi escrita em Hebraico e Aramaico, no Velho Testamento e Grego no Novo Testamento. No Velho Testamento nós temos a Lei, os escritos e os profetas. No Novo Testamento temos os evangelhos, os Atos dos Apóstolos e as epístolas. Você sabia que parte da Bíblia está em falta? Há um Velho Testamento, há um Novo Testamento. Onde está a parte que falta na Palavra de Deus? Ela está no céu! Jesus Cristo é a Palavra de Deus.

Então, o homem tem um corpo, alma e espírito. Em Grego, estas palavras seriam soma, psique e pneuma. Em Hebraico elas aparecem como basar, nephesh e ruach. Você não precisa saber Grego e Hebraico para saber que estas coisas são diferentes. Você tem como saber que elas são diferentes? Elas são pronunciadas de modo diferente. Não são as mesmas em Hebraico, nem no Grego e nem no Inglês. Desse modo, vocês sabem que elas não são as mesmas.

Vocês percebem que agora mesmo estou falando para pessoas, que têm estado vivas por dez, vinte, trinta ou quarenta anos, e nem sequer sabem o que são? Vocês sabem o que é o seu corpo mas não sabem o que é a sua alma. Aposto que vocês nem sequer sabiam localizar a sua alma se tivessem de fazê-lo. Nem sequer sabem o que é o seu espírito. Não é estranho? Como vocês podem entender que um americano pode vir de seis anos de escola primária, três anos de escola secundária e quatro anos de faculdade sem saber o que ele é? Que desgraça é para um homem crescer e viver nesta terra, morrer e nunca saber o que ele é! Davi diz no Salmo 8:4: “Que é o homem mortal para que te lembres dele? E o filho do homem, para que o visites?” Ele  queria saber o que o homem é. O homem é corpo, alma e espírito.

Que acham vocês dessas coisas? O que são elas? Bem, olhem primeiro para o seu espírito. João 3:8 diz: “O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito”. Agora vejam isto. O verso diz que o espírito é como o vento. Vocês viram? “O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito”.

Agora notem que a Bíblia é um livro texto acurado e científico. Ouve-se o povo falar: “Bem, a Bíblia não é um livro texto em ciência, mas onde quer que ela fale de ciência ela fala de exatidão”. É verdade. Essa matéria é algo em que pecam alguns pregadores. A Bíblia é um livro texto exato sobre ciência e existência. Não há outros livros científicos. Há livros científicos que tratam de certos atributos sobre a ciência física que podem ou não ser verdadeiros, mas é disso que estamos tratando. Do que estamos tratando aqui é da verdade absoluta.

Ezequiel 37:9 e 14 diz: “E ele me disse: Profetiza ao espírito, profetiza, ó filho do homem, e dize ao espírito: Assim diz o Senhor DEUS: Vem dos quatro ventos, ó espírito, e assopra sobre estes mortos, para que vivam. ...E porei em vós o meu Espírito, e vivereis, e vos porei na vossa terra; e sabereis que eu, o SENHOR, disse isto, e o fiz, diz o SENHOR”. Notem que Deus está dizendo para Ezequiel profetizar aos quatro ventos e dizer aos quatro ventos para vir soprar sobre os ossos. Assim, ele profetiza ao vento. Então, como se interpreta isso? Vejam o verso 14: “...E porei em vós o meu Espírito, e vivereis, e vos porei na vossa terra; e sabereis que eu, o SENHOR , disse isto, e o fiz, diz o SENHOR”. Viram isso? O espírito  é como o vento.

É claro que se vocês não conhecem a Bíblia não podem imaginar isso. Vejam a palavra grega pneuma. O que é pneumonia? É um problema com o ar. Um pneumático é um mecanismo conduzido por ar comprimido. Vêem? Quero dizer que a Bíblia é um livro texto científico e que os demais não passam de tolices.

Muito bem, o homem tem um espírito em si. Agora todos neste mundo têm o mesmo espírito. A Bíblia diz: “Porque, qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o espírito do homem, que nele está? Assim também ninguém sabe as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus” (1Coríntios 2:11)

Todos têm o mesmo espírito – o  espírito do homem. Todo o animal tem o mesmo espírito  - o espírito de animal. Eclesiastes 3:21 diz: “Quem sabe que o fôlego do homem vai para cima, e que o fôlego dos animais vai para baixo da terra?”. Então há quatro espíritos – há o Espírito de Deus, que é o Espírito Santo. Há o espírito  do mal – o espírito  imundo. Há o espírito  do homem – o espírito  humano. Há o espírito  do animal – espírito  animal. O que é isso? Esta é a única declaração científica já feita até hoje sobre o assunto. Você está perdendo o seu tempo com a National Geographic. Eles não sabem o que acabei de dizer. Você perderá seu tempo na Sociedade Médica Americana. Eles sabem menos sobre o que são do que um morcego voando de costas. Há quatro espíritos na terra. O homem tem espírito humano, e seu espírito  é como o vento.

Agora, escutem. Se vocês ainda não nasceram de novo, vocês têm um espírito  dentro de vocês – o espírito  humano, mas ele está morto. Como vocês sabem disso? Lendo João 3:5-7 “...Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito. Não te maravilhes de te ter dito: Necessário vos é nascer de novo”. Viram? Então um homem não salvo é um morto. Ele tem uma alma viva, mas tem um espírito  morto. Como você sabe que ele está morto. A Bíblia diz em Efésios 2:1: “E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados”. Assim o homem não salvo está morto. Um homem não salvo tem uma alma viva, mas ele tem um espírito morto.

E o que acontece com a alma de vocês? Com que ela se parece? R.B.Thieme, lá em Houston, no Texas, diz: “Não esqueçam. A alma está localizada no crânio”. Não esqueçam: ela não está localizada no crânio. Se há um lugar em que ela não está localizada é nesse lugar. Vejamos Lucas 16:23-24: “E no inferno, ergueu  os olhos, estando em tormentos, e viu ao longe Abraão, e Lázaro no seu seio. E, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim, e manda a Lázaro, que molhe na água a ponta do seu dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama”.  Vocês sabem onde ele está? Ele está no inferno. Vocês viram o que a passagem diz? “E no inferno, ergueu  os olhos, estando em tormentos e viu ao longe Abraão, e Lázaro no seu seio”. Uma alma tem olhos. ...e viu ao longe Abraão, e Lázaro no seu seio. E, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim, e manda a Lázaro, que molhe na água a ponta do seu dedo e me refresque a língua. Uma alma tem língua. Está claro? (As pessoas gastam tanto tempo com isto, não é mesmo?) Os antigos gregos pensavam que a alma era algo como uma ervilha, bola de golfe, bola de croquete, presa em algum local do seu corpo e quando você falecia, ela pulava fora pela sua boca ou pela parte traseira de sua cabeça. Na Bíblia a alma tem o contorno de um corpo. Como vocês podem saber disto?

Vamos, enquanto está quente. [Você está] Aqui hoje, amanhã partiu. Vocês não vão ter esse Livro por perto para sempre. Seria melhor descobrir o que ele diz. Vocês não vão entendê-lo na escola. É melhor entendê-lo enquanto podem. Vocês não vão entendê-lo numa faculdade cristã, pois lá ninguém o consulta em tempo algum. “Andem exatamente nesta linha, senhoras e cavalheiros, o grande show está exatamente aqui dentro. Não vai custar-lhes coisa alguma, além do seu tempo”.

Apocalipse 6:9 diz: “E, havendo aberto o quinto selo, vi debaixo do altar as almas...”. Vocês podem ver. Os versos 10-11 dizem: “E clamavam com grande voz, dizendo: Até quando, ó verdadeiro e santo Dominador, não julgas e vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra? E foram dadas a cada um compridas vestes brancas e foi-lhes dito que repousassem ainda um pouco de tempo, até que também se completasse o número de seus conservos e seus irmãos, que haviam de ser mortos como eles foram”. Viram isso? “Vestiduras brancas”. Uma alma pode usar vestidura. Se uma alma entrasse em seu quarto agora mesmo, vestida, e você lhe tirasse a roupa, não poderia ver coisa alguma por baixo. Chamam isso de “fantasma”. Daí porque “Gaspar, o Fantasminha Camarada” usa sempre uma veste de linho branco, porque  “E foi-lhe dado que se vestisse de linho fino, puro e resplandecente; porque o linho fino são as justiças dos santos”  (Apocalipse 19:8). Então, quando desenham um fantasma, eles o vestem com uma roupa branca.

Agora essa alma tem a figura de um corpo. Vamos ilustrar isto. Considerem a bola de futebol. A parte externa é de couro e dentro dela há uma câmara de ar feita de borracha. Essa câmara de ar interna é desenhada para ter a forma de uma bola. A câmara de ar interna representa sua alma. Quando você enche a bola ela se torna uma bola de futebol, mas com três partes separados. Vocês viram isso? Deus tem uma alma, um corpo e um espírito. O Pai, o Filho e o Espírito Santo. Agora pegue essa bola de futebol. Sabem o que é um homem não salvo? É um pneu furado. Está sentado lá (e tenho de dizer-lhes isto. Sei que o faço sem o menor constrangimento), mas vocês sabem que alguns de vocês são apenas cadáveres? Que coisa para se dizer, pessoal! Mas aposto que o pastor da Primeira Igreja Batista jamais disse isto à sua congregação. Aposto que vocês iriam por toda todos os cultos de capela da Faculdade Cristã de Pensacola durante muito tempo sem jamais ouvir isto. Mesmo que lhe dissessem, seria assim. “E assim, se vocês não nasceram de novo, são cadáveres”. NÃO! Você é um cadáver! Se não são salvos é porque não nasceram de novo. E se não são salvos nem nasceram de novo, uma parte de vocês está morta. Sabem o que Cristo disse? Ele disse: “Deixa aos mortos o enterrar os seus mortos; porém tu vai e anuncia o reino de Deus(Lucas 9:60). Vocês são pneus vazios. Podem comer, dormir, beber, reproduzir-se, cuidar da família, mas estão mortos. “Vocês precisam nascer de novo” (João 3:7).

Muito bem, isto é apenas a introdução. Agora vamos começar.

Peguem suas Bíblias e vamos a Gênesis 2 e vejamos como vocês tiveram início. Agora vocês entendem que quando vamos a Gênesis 2, estamos lendo uma narrativa histórica e científica da criação do homem. Vocês sabem que  “Darwin disse...”. Todo o tipo de pessoas tem todo o tipo de problemas. Alguém disse: “Bem este último avanço indica...” ou “estes cientistas disseram...” Nem todas as bobagens já estão formuladas.

Recentemente, um desses companheiros disse: “Bem, espero que a política exterior do Reagan seja melhor do que a sua política sobre a evolução, pois ele teve dúvidas sobre a evolução e a evolução é um fato”. Se a evolução é um fato, você não é o tio do macaco, você é o neto de um macaco. Evolução, um fato! Ora o que esses tolos pensam a respeito das coisas? Que elas estão evoluindo? Elas estão regredindo. Que provar isso? Compre um carro. Não vejo como um homem que dirige um carro velho pode crer em evolução. Jamais pude entender.

Agora voltemos a Gênesis 2:7. Deus faz  o homem e o faz do pó da terra. Este é o corpo. Ele lhe soprou o sopro da vida e isto é o espírito. O  homem tornou-se alma vivente. O Senhor disse no verso 18: E disse o SENHOR Deus: Não é bom, que o homem esteja só; far-lhe-ei uma ajudadora idônea para ele. E Deus fez a mulher. Quando ele a trouxe para Adão, no verso 23, Adão falou: “Esta é o osso dos meus ossos e carne da minha carne...” e o sangue? Não há sangue. Aqueles dois seres, o que quer que fossem no princípio, eram carne e ossos. Um colega disse: “Isso foi apenas um acidente. Ele poderia  ter dito carne e sangue”. Não. Onde Deus quer dizer“carne e sangue”, Ele diz “carne e sangue”. Por  exemplo, vamos a 1 Coríntios 15. Se o Espírito Santo quer que um escritor diga “carne e sangue”, ele dirá “carne e sangue”. Vá até lá. Não confie em minha palavra. Leia a passagem. Digo-lhe que chegará o dia, neste país, em que, quando um pregador citar um verso, será melhor você olhar esse verso, e de ambos os lados, também. Na 1 Coríntios 15:49-50, Paulo está falando sobre o arrebatamento. O verso 50 diz: E agora digo isto, irmãos: que a carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus....  Certo? Então, tudo bem. Carne e ossos formam uma combinação. Carne e sangue formam outra combinação. Vocês dizem: você está exagerando a diferença. Eu? Vamos a Lucas 24. Vamos ver se estou cortando o deck perto demais. Vocês sabem, por que o reino não pode vir à terra até Cristo voltar? A razão é que carne e sangue não podem herdá-lo. Existe algo errado. Com o sangue. Entendeu? Há algo errado com o sangue de vocês e com o sangue de seus pais. Amém? O contexto de Lucas 24 é Jesus Cristo ressurreto. Quando ele ressurge dos mortos, vejam o que Ele diz aos seus discípulos em Lucas 24:39: “Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e vede, pois um espírito não tem carne nem ossos...”. O que? Sem sangue? Ele não tem mais uma gota de sangue. Aí você pergunta: “para onde foi o sangue dele?” Ele o derramou na cruz. Quando aquele centurião perfurou o seu lado, a última gota veio da cavidade do seu coração. Não lhe restou sangue algum. Ele ficou reduzido acarne e ossos apenas.

Sabem o que significa isso? Significa que se Cristo é o último Adão, então o primeiro Adão não tinha sangue algum nele. Que nova doutrina é esta? É a doutrina conhecida como a arcaica elizabetana doutrina da Bíblia King James. É também conhecida como “melhor nos manuscritos originais”.

Tudo bem. O que quer que Adão fosse quando criado, ele não tinha sangue algum nele. Ele devia ter um sistema circulatório. Eu quero dizer que ele poderia comer e permanecer vivo. Ele deve ter tido alguma espécie de sistema circulatório. De que tipo? Bem, vocês poderiam supor (não tenho certeza agora do que vou dizer, mas acho que estou realmente próximo). Além do mais, se um Rei fez um homem e esse homem foi criação direta desse Rei, pode-se dizer que ele tinha “sangue azul”. Acho que esta é a expressão. Quero dizer  que se vocês ainda são 85% de água e visto como Cristo disse: Vinde após mim,  eu vos farei pescadores de homens, a chance é de que fosse um sistema circulatório de água. Vocês perguntam: “onde você conseguiu isso?” Consegui em dois lugares. O primeiro milagre público de Moisés no Velho Testamento foi transformar água em sangue. Sabem qual foi o primeiro milagre no Novo Testamento? Vejam em João 2: transformar a água em vinho. Esse vinho é um tipo [simbólico] de quê? É um tipo [simbólico] do sangue. Tanto é um tipo [simbólico] de sangue que a mãe de Jesus disse: “eles não têm mais vinho”“E disse-lhe Jesus: Mulher, que tenho eu contigo, ainda não é chegada a minha hora” (João 2:4). Vocês já leram 1 João 5:8, onde ele diz que a água: espírito, e a água e o sangue, concordam?  Notaram como certos editores confundem o verso antes deste, que fala: Porque três são os que testificam no céu: o Pai, a Palavra, e o Espírito Santo; e estes três são um. Vejam como estão sempre fazendo confusão, aí, não é mesmo?

Muito bem, qualquer que tenha sido aquele corpo, ele tinha um sistema circulatório e era carne e ossos, mas sem sangue. Até que um dia, alguém apareceu no Jardim do Éden, provavelmente alguém com 33 anos e meio de idade e do sexo masculino (embora Moisés tenha sabido por revelação que era algo mais) e falou para a mulher: É assim que Deus disse? Está nos originais? Então ela disse: “Deus disse” e citou o Senhor erroneamente. Ela disse:  “que não devemos tocar no fruto”. Ele disse: “um pouquinho só não lhe fará mal”. Ele colocou uns dois na boca para mostrar que não fariam mal e então ela apanhou o fruto. O que quer que aquela coisa fosse mexeu com os líquidos do seu corpo. Ela [estendeu a mão e] o alcançou e colocou na boca. E ele [o fruto] afetou o seu sistema circulatório. Suponho que era uma espécie de sangue. Deixou os lábios dela vermelhos. Daí porque, vocês, senhoras, usam batom em seus lábios. Um animal de caça, quando apanha a sua presa, tem garras frontais vermelhas [de sangue] e escondem essas garras vermelhas. Então, as senhoras pintam de vermelho as unhas das mãos e dos pés. De qualquer modo, ela pegou o fruto e o comeu e, quando o fez, algo errado aconteceu dentro dela.

Agora, agradeçam a sua alma, existe apenas uma árvore naquele Livro que tinha o “fruto proibido”. É em Números 6. Essa árvore é a videira. Há somente uma árvore proibida no jardim “a árvore do conhecimento do bem e do mal” (Gênesis 2:17)). Há somente uma árvore que causou problemas ao velho Noé, depois que saiu da arca: a videira. Tenham cuidado com essa videira. Sabem o que ela tipifica? Tipifica o sangue. Vocês sabiam que existe apenas uma coisa que é proibida de se comer antes do Velho Testamento, durante o Velho Testamento e depois do Velho Testamento? Vocês não podem comer sangue (Atos 15:20, no Novo Testamento; Levítico 17:12, no Velho Testamento (sob a Lei); Gênesis 9:4 (antes da Lei). Três vezes lhe é dito: “Não coma sangue” – especialmente na manhã de domingo [Comentário de Hélio: isto se refere ao vinho da missa e de quem crê na transubstanciação]! Sabem porque algumas pessoas falam tanto em “pecado original?” É porque sempre o cometem nas manhãs de domingo.  A primeira mulher tomou algo, pôs na boca o que não deveria ter posto e desorganizou o sangue dela. Você duvida que ela desorganizou o seu sangue? Digam-me, senhoras, não existe algo errado com o seu sangue desde então? É bom pensar no assunto, não é?

Isso desorganizou o sangue de Adão. Quando isso aconteceu, sabem o que aconteceu ao velho Adão? Ele morreu interiormente. A partir daquele dia, Adão tinha um corpo vivo, uma alma viva, mas um espírito  morto. A partir daquele tempo, não há um só homem na Bíblia que tenha “nascido de novo”, até a morte e ressurreição de Jesus. Quando Jesus Cristo se apresenta, um homem pode nascer de novo. Não há novo nascimento no Velho Testamento. Nem um só. Abraão foi salvo pela graça através da fé – sem novo nascimento. Davi foi salvo pela graça através da fé – sem novo nascimento.

No Velho Testamento, vocês encontram salvação antes da Lei, pela graça através da fé e sob a Lei, pela fé através das obras, mas nem um só caso de novo nascimento em parte alguma,  dentro dela. Sabem por que? Adão perdeu a imagem. Peguem suas Bíblias e vamos a Gênesis 5 e notem que cada homem nascido depois de Adão não é nascido à imagem e semelhança de Deus – ele é nascido à imagem de Adão.

(Agora, eu já lhes disse que estávamos indo entrar no Livro e isto é uma espécie de peso para alguns de vocês. É a má companhia que vocês estão conservando. Vocês não costumam tomar um livro e sentar com o mesmo aberto no regaço e checar as coisas. Vocês costumam sentar com a luz apagada e o tubo bobo [o televisor] por cima, queimando seus olhos).

 Muito bem. Vejam Gênesis 5:1-3. A Bíblia diz: Este é o livro da geração de Adão e Adão gerou um filho à sua semelhança, conforme a sua imagem...”. Agora leia. Veja o verso cuidadosamente. O rapaz não tem mais a semelhança de Deus. Ele tem a semelhança de Adão. Ele não tem um corpo vivo, uma alma viva e um espírito  vivo como Deus tem. Ele tem um espírito  morto. As pessoas dizem: “O homem é feito à imagem de Deus”. Não, o homem não é feito à imagem e semelhança de Deus até nascer de novo. Quando ele nasce de novo a Bíblia diz que ele é renovado em conhecimento:  “E vos vestistes do novo, que se renova para o conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou (Colossenses 3:10).

Muito bem. Vamos agora pegar Abraão. O que é Abraão? Bem, ele é morto em delitos e pecados como qualquer outro [homem] no Velho Testamento. Não entendo como podem esses professores de Bíblia se erguer e olhar de frente para um auditório e dizer-lhe que as pessoas do Velho Testamento eram salvas “do mesmo modo como as do Novo Testamento”. Ora, o cara que ensina isto sabe que nem mesmo vão para o mesmo lugar! No Velho Testamento os santos não iam para o céu quando faleciam. Eles iam para o seio de Abraão. Como pode um sujeito se erguer e dizer: “no Velho Testamento eles eram salvos esperando pela cruz. No Novo Testamento eles são salvos olhando para trás, para a cruz e assim são todos...”. Como se pode dizer algo assim? Eles nem sequer vão para o mesmo lugar.

Agora, tomemos Calvino. Acho que o pobre e velho João Calvino cometeu um dos piores erros possíveis a um homem, quando disse que um homem não podia confiar [crer] em Cristo, até nascer de novo. João Calvino ensinou que quando um homem é salvo, o Espírito Santo  entra nesse sujeito e primeiro o regenera. Em seguida, quando o homem foi regenerado, ele se arrependeu e recebeu Cristo. Isso é chamado graça irresistível. O Espírito Santo se apodera do sujeito e o faz desejar. Sabem como se chama isso? Chama-se depravação total. O sujeito está morto em seus delitos e pecados, de modo que não pode receber Cristo. Este é o ensino de João Calvino. Este é o ensino de cada Batista Primitivo [uma denominação]e dos Batistas Ortodoxos [outra denominação]. A maior parte dos hiperdispensacionalistas se esforça arduamente dessa maneira. Sabem o que é esse ensino? O ensino é que se estou “morto em delitos e pecados”, sou um bom morto e nada posso fazer e portanto, não posso receber Cristo até ser ressurgido e nascido de novo. E assim por diante. Agora, deixem-me perguntar-lhes: “se estou morto emmeus delitos e pecados e não posso receber a Cristo, será que posso rejeitá-Lo?” Por que não [isto é, por que não querem me deixar fazer esta pergunta]? Se  o que eles dizem é assim, [então] como vocês podem ir para o inferno por algo pelo que que não são responsáveis, se não podem ir para o céu pelo que não são responsáveis? João Calvino não era um estudioso nem um erudito da Bíblia. Como o grupo Mayflower disse: “Ele foi uma luz brilhante e preciosa em seu tempo”. É isso aí. Para o tempo de João Calvino, ele fez uma porção de bem, ajudou uma porção de gente, porém ele não era um profundo estudioso da Bíblia e nem um erudito. Notem em Êxodo 35. Estou no Velho Testamento. Estou sob a Lei. Estou nos dias de Moisés. Estou num tempo em que  não há novo nascimento e ninguém é nascido de novo. Ninguém é “ressurreto pelo Espírito Santo”. Gostaria que vocês checassem os versos 10,21,22 e 25. Leiam-nos. Agora vocês vêem nessas passagens o que acontece? Essas pessoas estão fazendo o que Deus lhes ordena. Estão obedecendo ao Senhor. Agora, olhe cuidadosamente a passagem e note que o Espírito Santo  não toca nem uma delas. Nem uma só é incitada pelo Senhor. Elas se incitam a si mesmas! Os seus próprios corações as incitam. São os corações das pessoas que jamais nasceram de novo – pecadoras não regeneradas. Elas fazem o que Deus lhes ordena fazer. A idéia exata é a de vocês se sentarem ali e [eu] dizer que não podem receber Jesus. Vocês podem. Claro que podem!

Muito bem, então vem Abraão e no tempo em que ele aparece, o Senhor o chama certa noite e diz: “O que você vê lá em cima?” Abraão diz: “Vejo uma porção de estrelas”. O senhor diz: “Vou lhe dar tantos filhos como essas estrelas”. Abraão diz: “Eu creio”. O Senhor diz: “Você crê?” Abraão responde: “Sim, eu creio”. O Senhor diz: “Você não quer uma espécie de chuva para servir de prova disto, ou algo assim?” Abraão falou: “Não, se o Senhor falou, eu creio”. O Senhor diz: “Olhe, veja aqui, homem velho, você tem quase cem anos de idade. Você sabe disso não sabe?” Abraão disse: “Se o Senhor diz assim, eu sou”. O Senhor disse: “Você tem saúde? Abraão replica: “Bem se o Senhor o diz, eu creio”. Então o Senhor disse: “Vou lhe dizer aqui. Se você for aquele silvícola [Comentário de Hélio: acho que o tradutor se enganou, mas não tenho o original de Ruckman par checar] e for até longe e puser a sua fé em mim, desse modo eu vou lhe dar minha justificação”. Então Deus deu sua justiça a Abraão.

Certo dia o Senhor me levou para o alto de um monte e me mandou olhar para cima. “O que vês?” Eu disse: “parece-me ver um judeu morto”. Ele disse: “Bem, o que ele está fazendo?” Eu disse: “Não sei. Parece  que Ele está morrendo por mim”. O Senhor disse: “Muito bem, confie nisto e eu o levarei para o céu”. Eu  respondi: “Ok, eu creio”. O Senhor perguntou: “Bem, vou lhe dizer o que. Se você for para aquele campo e puser a sua fé em mim, vou lhe dar a minha justificação. Recebi-a. Recebi-a! Você tem a sua justificação por si mesmo [por seu próprio esforço e boas obras]? Vou dizer-lhe o que. Se você [mesmo] conseguiu a sua [justificação], pode guardá-la. Eu a recebi de alguém mais.

Ele disse a Abraão: “Vou dar-lhe minha justiça”. Abraão creu em Deus e foi justificado (Romanos 4:3 e Gênesis 15:6). O Senhor disse mais a Abraão em Gênesis 17: “Agora pegue o cutelo”. Abraão disse: “para que?” O Senhor disse: “Você vai se cortar onde dói mais”. Abraão disse: “porque devo cortar a mim mesmo?” O Senhor disse: “Bem, sem derramamento de sangue não há remissão de pecados e você tem de se cortar no local exato porque o problema é com a sua semente” [Comentário de Hélio: trata-se da circuncisão]. Abraão disse: “O que há de errado com a minha semente?” O Senhor disse: “Sua semente não é boa”. É isso, sua semente não é boa. O problema é com a sua semente. Vocês sabem o que Simão Pedro disse? Sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva, e que permanece para sempre. Porque Toda a carne é como a erva, E toda a glória do homem como a flor da erva. Secou-se a erva, e caiu a sua flor” (1 Pedro 1:23-24). Vocês sabem porque eu morro? Meu pai morreu. Sabem porque meu pai morreu? Porque  o pai delemorreu. Sabem porque eles morreram? Porque os pais deles morreram. Vocês sabem o que há de errado conosco? Existe algo errado com a nossa semente. Vocês não entendem? Suponhamos que eu tivesse uma sala cheia de médicos e advogados. Você acha que eu deveria ficar menos cuidadoso? Vocês vão cair mortos. Vocês vão bater as botas. Vão botar vocês na cova com uma pá, exatamente como eu. Não me interessa o que um bando de médicos, advogados e cientistas pensam. Vá para a cova, filho, e o enterre no meio da sujeira. Quero dizer que toda a carne é como a erva. Existe algo errado com a semente.

O Senhor diz [a Abraão]: “Corte a si mesmo”. Então ele se corta. Por que ele o faz? Bem, porque lá atrás no Velho Testamento, Deus não podia dar um novo nascimento ao homem. Escutem, se Abraão nasceu de novo, ele eraespiritualmente circuncidado. A razão para ele usar uma faca e fazer o corte foi que ele não era espiritualmente circuncidado. Não havia nascido de novo. Ninguém no Velho Testamento nasceu de novo. Vamos a Colossenses 2 (bem, dentro de um minuto voltarei á essência da coisa). Agora você está no Novo Testamento e já não mais sob a Lei. Estão do outro lado do Calvário. No lado do Calvário onde Cristo já havia morrido, sido sepultado e ressuscitado. Agora quero olhar para a diferença lá. Vejam Colossenses 2:11,13. Veja o que aconteceu quando vocês foram salvos. O verso 11 diz: No qual também estais circuncidados com a circuncisão não feita por mão no despojo do corpo dos pecados da carne, a circuncisão de Cristo. O verso 13 diz:  E, quando vós estáveis mortos nos pecados, e na incircuncisão da vossa carne, vos vivificou juntamente com ele, perdoando-vos todas as ofensas. Agora vejam esta parte do verso 11: A circuncisão feita não por mão... Amém? E “retirando”. O que? “O corpo do pecado da carne pelo poder de Deus.” Isto Ele chamou de “operação”. Não existe coisa alguma como a Bíblia King James para esclarecer o jovem Dr. Kildare ou o que quer que fosse o nome dele. Muito bem, então Ele disse: “Corte-se a si mesmo porque algum dia vou realizar em você uma circuncisão espiritual que agora não posso realizar ainda. Por que ainda não? A semente não é boa. Você precisa ter a semente correta”. Vocês sabem o que Deus disse à serpente no Éden em Gênesis 3? Ele falou de “semente” que a semente da mulher lhe esmagaria a cabeça! Foi isso que ele disse ao diabo.

Muito bem. Depois vem Jesus Cristo. Ele morre na cruz pelos pecados de vocês. É sepultado. Permanece no túmulo por três dias e três noites. No terceiro dia ressurge dos mortos. Aqui vem a vida eterna. A vida eterna vem, atravessa o Calvário, atravessa a tumba e chega com a Ressurreição. Algo acontece, contudo não sei o que é. Sei apenas que quando ele estava pendurado na cruz, falou: “...Deus meu, Deus meu por que me desamparaste?(Mateus 27:46). Houve um intermezo. Não sei como é possível haver um intermezo na “vida eterna” e esta continue sendo eterna, a não ser que uma parte Dele fosse eterna e outra não fosse. Sei de uma coisa. Quando Ele ficou fora da vida eterna, naqueles poucos momentos, naquelas três horas, Ele esteve na morte eterna. Quando Ele diz: “Deus meu, Deus meu,” etc. Ele é igual a alguém que está no inferno. Um homem no inferno diz: “tenho sede” (João 19:28; Lucas 16:24). Sei uma coisa. Sei que quando cessou a vida eterna, alguma coisa aconteceu no Calvário, onde o Filho de Deus provou a morte eterna. Quando Ele chegou ao final daquela cruz, Ele disse: Está consumado(João 19:30).

Muito bem. Ele  desce à sepultura. Depois se levanta do túmulo: Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim” (Apocalipse 22:13).  Ele ressuscitou. Para onde Ele foi? Foi direto ao lugar de onde viera. Ele veio da vida eterna e foi para a vida eterna. O princípio e o fim – essa é a vida eterna. É a vida que existia antes da fundação do mundo e Jesus Cristo disse em sua oração de intercessão: Pai, aqueles que me deste, quero que, onde eu estiver, também eles estejam comigo, para que vejam a minha glória que me deste; porque tu me amaste antes da fundação do mundo (João 17:24). A vida eterna vem através do Calvário.

Agora, desejo subir ao Novo Testamento, neste lado do Calvário e olhar um homem para ver como ele se comporta. A semente escolhida da raça de Israel se apresentou. O sacrifício perfeito foi realizado. Escutem! Tenham cuidado com qualquer um que tente arrebatá-lo para o outro lado do Calvário. O irmão Weldon Jones passou anos no México ganhando aquele povo para Cristo e pode dizer-lhes, quando desejarem conversar com ele, que o problema com aquelas pessoas no México é muito simples. Elas estão sempre tentando levá-lo de volta ao outro lado do Calvário porque lá existe um sacerdócio, e deste lado da cruz não existe qualquer sacerdócio. Elas estão tentando levá-lo para o outro lado da cruz. “Bem, espero estar salvo, suponho estar salvo, acho que estou salvo...” Vocês dizem isto porque lá atrás ainda não estava completada a redenção. Agora está completa. Agora “tudo está consumado”. Vocês não vão me levar de volta para o outro lado do Calvário. Lá é onde eu estava antes de ser salvo.

Qual o melhor exemplo que conheço? Bem, o melhor exemplo sou eu mesmo. O melhor que se tem a fazer é dar um testemunho pessoal. Muito bem. Aqui estou eu. Certo dia recebi Jesus como meu Salvador. O que aconteceu? O Espírito Santo veio habitar em mim e quando veio, trouxe com ele uma faca: “Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes...” (Hebreus 4:12-a). Ele andou dentro de mim e cortou a minha alma, separando-a do meu corpo. Aí vocês dizem: “Jamais ouvimos isto”. No hospital eles tem um laser e estão começando a aprender a cortar a carne sem danificar a pele. Estão horrivelmente atrasados! Com mais de mil e novecentos anos de atraso (quero dizer, vez por outra eles aprendiam isso na Bíblia King James, mas nem sempre). Muito bem. Por dentro eu sou cortado à parte deste corpo em que estou agora mesmo. Dentro de mim existe uma alma vivente que é cortada à parte e não mais se junta à carne. Vocês dizem: “De onde você tirou isso?” Tirei de Romanos 7:1-4, a ilustração de um homem separando-se da esposa. Vocês vêem? Se o marido não mais se encontra ali, a esposa já não está presa ao mesmo. Daí porque essa passagem está ali.

Muito bem. Jesus Cristo é enterrado e depois ressuscita. Confio [creio] Nele. O que acontece? O Espírito Santo entra em mim. A  primeira coisa que Ele faz é uma operação espiritual. Vamos ilustrar. Vejam uma bandeja de gelo. Ela tem cubos de gelo. Você pega a bandeja e tenta quebrar os cubos e retirá-los da bandeja. A água escorre pelo assoalho e você fere os seus dedos. Contudo, se você pegar  essa bandeja e colocá-la sob a torneira e derramar água sobre ela, quando você puxar, segurar ou mexer a bandeja, os cubos ainda lá estarão, mas cada um destes vai se separar facilmente da própria bandeja.

Os cubos estão livres.

Agora, ainda estou na bandeja, vêem? Existe a bandeja (o corpo), mas não estou mais ligado ao mesmo. Vocês perguntam: “Como sabe disso?” Vou mostrar-lhes como. Vamos a Levítico (nada existe como a Bíblia para esclarecer uma educação universitária). Agora, no Velho Testamento, a alma de um homem é ligada à sua carne. Então, se um homem subisse para tocar piano, sua alma tocaria o piano. Como se sabe disso? Vejamos Levítico 22:11 e em seguida o verso 6. Viram como a alma é usada aí? É usada como pessoa. O verso 6 diz: A alma que tocar será imunda até à tarde, e não comerá das coisas santas, mas banhará a sua carne em água. Vocês viram? Agora a minha alma não pode tocar piano. Meu corpo pode fazê-lo, mas a alma não. E sabem por que? Porque ela  está liberada da carne. No Velho Testamento quando um homem tocava algo, sua alma tocava. Daí porque necessitavam da purificação. Daí porque aquelas pessoas no Velho Testamento  jamais souberam, de um dia para outro, se estavam ou não estavam salvas. Elas eram contaminadas sempre que tocavam em algo errado.

Agora vocês que são salvos, conseguem entender a liberdade que têm? Você é livre! Paulo diz: ...Não useis então da liberdade para dar ocasião à carne, mas servi-vos uns aos outros pelo amor” (Gálatas 5:13), quando vocês são salvos, vocês já não tocam a coisa quando a tocam com a carne.

Muito bem. Agora já confiamos em Cristo. O que acontece? O Espírito Santo entra em mim e separa minha alma da carne. Depois, o que acontece? Ele regenera o meu espírito o que é nascido da carne é carne; o que é nascido do Espírito é espírito. Visto como o Espírito Santo está dentro de mim e do Senhor, então estou no Senhor e o Senhor está em mim. Não abro a boca, engulo a hóstia e digo: “Agora eu o tenho. Vejo você no próximo domingo”. Vejam, eu confio em Cristo, Ele entra em meu corpo. Meu corpo é o templo do Espírito Santo. Ele ficará dentro de mim até que o inferno congele e eu estou Nele. Escutem, se estou Nele e Ele em mim e Ele é a vida eterna, então eu tenho a vida eterna. Ele está em mim e eu estou Nele. A Bíblia diz: Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade;  E estais perfeitos nele, que é a cabeça de todo o principado e potestade(Colossenses 2:9-10). Porque você acha que sou um personagem afortunado? Estou aqui de pé, sei onde estive antes, o que estou fazendo aqui e para onde vou. Rapazes, como é que se fica “orientado”? Alguns de vocês desejam ter uma vida “com significado?”. Que tal esta? Não seria uma bênção conhecer cada lugar em que vocês estiveram , o que estão fazendo aqui e para onde vão? “Onde vocês estiveram?” Lá atrás em Gênesis e antes de Gênesis com a glória que Deus deu a Cristo antes da fundação do mundo. Para onde vocês vão? Eu estou indo além de Apocalipse 22 – Nova Jerusalém. Sei onde estou. Sei para onde vou. Vocês sabem para onde vão?  Aposto que alguns não sabem.

Estou Nele – o que mais? Se estou Nele sou uma parte de sua morte. Sou uma parte do seu sepultamento. Sou uma parte de sua ressurreição. E tenho três partes. Deve haver três delas. Então, falando praticamente, onde estou?Praticamente estou morrendo uma lenta e dolorosa morte. Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim (Gálatas 2:20), isto é, praticamente dia a dia. Onde estou no que diz respeito a Deus? Estou no túmulo. Estou sepultado. Estou desativado e o Senhor não tem mais que se preocupar com Peter Ruckman. Ele está morto! Quando batizamos as pessoas no batistério, sabem o que isso representa? O quadro de uma pessoa morrendo. Um homem sepultado no batismo mostra a sua morte. Assim, no que diz respeito a Deus, quando lido com o  corpo, o que faço? Colho o que semeio. Não se pode fugir do pecado, mas no que diz respeito aos pecados, eles são cometidos por um cadáver contra um cadáver. Os cristãos estão mortos e sepultados. Sabem o que está errado com uma porção deles? Estão sempre desenterrando o cadáver e cometendo asneiras com ele. A terceira parte de nossa vida é a vida espiritual. Espiritualmente, estou ressuscitado com Cristo. Todo cristão tem três vidas.

Vamos a Efésios e lhes mostrarei algo. Sabem, o problema com uma porção de cristãos é que continuam desenterrando o velho cadáver defunto ou voltando atrás e se deitando com ele no túmulo. Ouvi o Dr. Bob Jones Sr. dizer, certa vez, que o tempo inteiro que vocês perdem para servir a si mesmos demonstra que não passam de cadáveres ambulantes. Vocês gostariam de ser cadáveres ambulantes? (é algo em que pensar). Quando somos salvos, todo o tempo gasto conosco é gasto correndo atrás de um defunto. Amém? Vocês estão mortos e sua vida está oculta com Cristo em Deus. Por isso diz: Desperta, tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te esclarecerá” (Efésios 5:14). Agora vejam: isto foi escrito para um não salvo? Vejam Efésios 5:13 e examinem o que está ali: “Porque o que eles fazem em oculto até dizê-lo é torpe”. Isto não foi escrito para um não salvo. Efésios 5:14 “Desperta, tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te esclarecerá”  foi escrito para os salvos. Alguns cristãos gastam todo o seu tempo com um cadáver.

Certa vez, nos anos 1890, quando costumavam usar antigos coveiros, um deles cavou uma sepultura. Ao terminar o serviço, ele escorregou e caiu dentro dela, quase quebrando o pescoço. Tentou agarrar-se à terra e não conseguiu. Ficou ali, dentro de um buraco de oito pés de profundidade, sem a mínima chance de sair. Teria de passar a noite ali e ficou esperando que o cortejo fúnebre chegasse na manhã seguinte, a fim de retirá-lo dali. Fazia frio lá dentro e ele ficou andando para a frente e para trás, dentro daquela cova de oito pés tentando aquecer-se. Pulava e se esmurrava. Vez por outra ele dizia: “Brrumm! Brrumm! Como está frio aqui dentro. Um velho bêbado veio andando pelo cemitério cerca de meia noite e na escuridão ouviu: “Brumm como está frio aqui dentro! O bêbado foi se aproximando. Olhou para dentro da cova e falou: “Ora, não é de admirar que você esteja com frio, você atirou fora toda a terra que estava em cima de você”. Vocês sabem porque alguns cristãos sentem frio? Porque retiram toda a terra de cima deles. Esse é o problema. Estão tentando levantar aquele cadáver.

Vocês sabiam que todo cristão é um zumbi? Vejam, um homem não salvo tem um corpo vivo, uma alma viva, mas um espírito morto. O cristão tem um espírito vivo, uma alma viva, mas um corpo morto. Estão vendo isso? O seu corpo é um cadáver. Vocês sabem que todos os seus problemas provêm da carne? Vejam o que diz a Bíblia em Romanos 6:11: Assim também vós considerai-vos como mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus nosso Senhor Um homem morto não pode ter desejos. Como vocês arranjam problemas se estão mortos? Lá no cemitério ninguém tem problemas com os banhos mistos e coisa nenhuma. As pessoas no cemitério não se preocupam mais com maquilagem, camisetas, cabelos compridos, com coisa alguma. Estão todas mortas. Não é esse o problema de vocês? As pessoas dizem: “Ele é o seu pior inimigo”. Cada um de vocês é o pior inimigo de si mesmo. Já viram aquele demônio que aparece em seu espelho [você mesmo]? Se vocês pudessem livrar-se dele, todos os seus problemas estariam resolvidos.

Logo que fui salvo fechei um olho e contemplei o meu nariz. Fiquei surpreso com o que vi. Podem achar que estou louco, mas estou muito bem. Não posso explicar isso a vocês. Lembro-me do primeiro banho de  chuveiro que tomei depois que fui salvo. Tendo Deus como testemunha, ao entrar debaixo do chuveiro e começar a me ensaboar minha pele despida, ao olhar para ela senti-me um perfeito estranho. Pensei: “Que coisa fraca e subnutrida!” Jamais havia pensado assim antes, mas agora pensava. Quando olhei para o meu nariz, sabem o que vi? O velho homem. Vi você, seu demônio! Sabem o que eu tinha agora dentro de mim? Tinha um novo homem dentro do meu corpo e certamente não era este corpo carnal.

Este corpo carnal é que me dá problema. Eu digo: “Cale a boca!” Ele diz: “Tenho de fazer isso!” Eu digo: “Não, não tem”. Ele diz: “Tenho”. Eu digo: “Não, não tem”. Ele diz: “Eu preciso”. Eu digo: “Não precisa. Cale a boca e fique quieto”. Ele diz: “Olhe para mim, estou tão nervoso. preciso fazê-lo”. Eu digo: “Você está morto”. Ele diz: “Não estou morto. Olhe para mim. Estou me movendo”. Eu digo: “Você está morto. A Bíblia diz que você está morto e se ela diz que você está morto é porque está morto”. Ele diz: “Se estou morto, como é que você está falando comigo”?

Esse é o grande problema, hem, irmãos! É a carne. E a carne – cinza [voltam] às cinzas e pó ao pó. Vocês precisavam ver as pessoas num SPA. Precisavam vê-las cuidando da carne. Alguns desses indivíduos que lá estão, ficam mais tempo se olhando no espelho do que malhando. Já os vi: “Mister América” ou “Miss Universo”. Vocês sabem o que vai acontecer com esses tipos qualquer dia desses? Vão ficar debaixo do chão cobertos de terra com os vermes devorando-os – “Mister Verme”. Eles fazem o mesmo com as mulheres. Esses concursos de “Miss Universo” e “Miss América”, agora são de “Miss Verme”. Saibam que a Bíblia afirma que toda a carne é como a erva...(1 Pedro 1:24-a). Sua carne é o demônio que lhe causa todos os problemas. Quando se é salvo tem-se um corpo morto e um espírito vivo. Vocês sabem o que vocês são? São zumbis ambulantes. São mortos vivos. Vocês sabiam por que causam tanto medo a alguns dos seus amigos? Imaginem se um defunto aparecesse repentinamente, amanhã à noite, e tocasse o ombro de vocês. Também ficariam espantados, não é?

 Tenho certeza de que já conhecem a narrativa daquele funeral daquele homem de cor, quando aquela viúva ia à frente chorando. Ela ia dizendo: “George, George, fale comigo”. Alguém na parte dos fundos do edifício, ouviu-a e disse: “Se ele falar com ela, aquela janela é minha para [para fugir por ela]”.

Estou salvo há mais de 30 anos. Sabem de uma coisa? Há pessoas nesta cidade que ainda não sabem o que aconteceu. Quando ando pela rua, elas vão para o outro lado. Não sabem o que aconteceu. Ainda não entenderam a coisa. Rapazes, se eu tivesse virado um psicopata, na certa já saberiam há muito tempo. Já vai para 43 anos. A última vez em que me viram no Clube Coral, no Diamond Horseshoe, no Town Tump ou no Peppermint Lounge, tocando bateria numa banda de dança, com meu capacete para diminuir o som, uma garrafa de cerveja e um casco quebrado de coca para o caso das coisas engrossarem (isso acontece ali algumas vezes). Em  um minuto eu era daquele jeito e no minuto seguinte já estava rodando pela cidade em meu carro com um coelhão em cima do mesmo, convocando as crianças para a Escola Bíblica de Férias. Eu ia dizendo: “Vamos, crianças, entrem no carro comigo e o coelho.” Ninguém conseguia acreditar.  Sabem o que aconteceu? Agora sou um novo homem!  Algo aconteceu. “Algo novo me foi acrescentado”. Há um médico na cidade que ainda guarda em sua gaveta cerca de oito cartas que lhe enviei em 1949 e que até hoje não foi salvo. Vez por outra ele lê as cartas e fica tentando entender. Ele não pode entender que se você é salvo é um morto vivo ambulante.

Em Greenville, Carolina do Sul, li esta narrativa. (Deve ter acontecido há uns 30 anos atrás). Um carro funeral ia da Geórgia para Atlanta. Havia dois motoristas, um branco e um negro. Eles deveriam entregar um cadáver numa funerária de Atlanta. Eles levavam aqueles carros funerais através da Great Smokey (a rodovia Skyline). Eles foram até lá se revezando, um dormia enquanto o outro dirigia. Ao Norte de Ashville, em alguma parte, alguém estava na estrada pedindo carona (o negro estava dormindo e o branco dirigindo). O sujeito branco teve pena. Havia uma tempestade e ele falou: “cara, você pode entrar na parte de trás, mas há um cadáver lá, um cadáver”. O carona todo molhado, sacudiu-se e  falou: “ora, isso não faz qualquer diferença para mim”. Em seguida, ele entrou na parte traseira do carro. Já estavam chegando a Hendersonville e atravessando curvas fechadas para descer até Greenville,  e era umas duas horas da manhã quando iam começar a descida, no meio da noite, o sujeito branco despertou o negro e disse: “é sua vez de dirigir”. Então foi dormir e o negro começou a dirigir sem saber que havia um carona lá atrás. Depois de dirigir naquelas curvas fechadas, o carona que estava atrás quis um cigarro. Ele bateu no vidro que separava o motorista da parte de trás do carro. O negro olhou ao redor e para baixo. O moço de trás bateu novamente no vidro e o negro manteve os olhos na estrada, apavorado e suando como um cavalo. O cara de trás puxou a porta de vidro, abriu-a e tocou-lhe no ombro, dizendo: “cara, ainda falta muito para chegar a Hendersonville?” Screech! O negro pisou o freio e saiu correndo do carro fúnebre e ninguém conseguiu encontrá-lo nos próximos três dias.

Muito bem. Vamos voltar ao assunto. Suponhamos que eu esteja conversando com uma pessoa não salva. Quem não é salvo não está “em Cristo”. Não possui vida eterna. Pode ter uma religião, mas nenhuma religião pode conduzir a Cristo. Pode ter sido batizado nas águas, mas o batismo não leva a Cristo. Ele ainda conserva a imagem de Adão. Ainda está morto. Precisa nascer de novo.

Noto que o termo “nascido de novo caiu em descrédito” atualmente. Quando Flint, Carter e outros dessa turma professam ser “nascidos de novo”, as pessoas se perguntam o que isso significa. Bem, não estou falando desse tipo de novo nascimento. Estou falando do Espírito Santo entrando em vocês, separando-os da carne e adotando-os na família de Deus, redimindo-os, pagando o preço do sangue, aplicando o sangue às suas almas, salvando-as, regenerando seus espíritos e colocando-os no corpo de Cristo. Não estou falando de viagens com drogas ou coisas semelhantes.

Agora, tomemos um sujeito não salvo. O que lhe acontece? “Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida” (1 João 5:12); “Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; mas aquele que não crê no Filho, não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece” (João 3:36); “E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados, em que noutro tempo andastes segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência. Entre   os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também”.(Efésios 2:1-3). Se vocês não são salvos, estão numa condição terrível. Eu não poderia descrevê-la de tão negra que é. Segundo a Bíblia, vocês estão perdidos, destruídos inacabados, sem esperança e sem Deus, fora de Cristo, fora da irmandade de Israel. Sozinhos no mundo, sem as promessas de Deus, mortos, mortos em seus delitos e pecados.

Já viram. Um sujeito diz: “Não sinto isso”. Ora, você não precisa saber que tem câncer para morrer em conseqüência deste. O que tem a fazer é cair morto. Você não precisa sentir um aneurisma – até que ele o mate.

Então quando morre um indivíduo não salvo, o que lhe acontecerá? Não tenho certeza absoluta de tudo o que vou falar agora mesmo. Mas vou dar-lhes as Escrituras. Peguem suas Bíblias e vão até João 3 e Salmo 22. E, como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado (João 3:14). Quando Cristo morreu na cruz, você sabe com que Ele se assemelhava? Ele se assemelhava à serpente – aquela que complicou a semente lá em Gênesis. Vocês vêem que o problema está na “semente”. Creio que a “semente” parece algo como um verme. Quando me lembro corretamente da minha biologia. O Salmo 22:6 mostra Cristo na cruz:Mas eu sou verme, e não homem, opróbrio dos homens e desprezado do povo”. Agora vocês sabem que é Cristo ao observar o verso 1. Se ainda tiverem dúvida de que se trata de Cristo na cruz, vejam os versos 14,15 e 18. Este Salmo se refere a Cristo. “Sou um verme”. A serpente pertence à categoria dos répteis.

Algo está errado. Vamos a Marcos 9:48: Onde o seu verme não morre, e o fogo nunca se apaga. “Seu verme” é um pronome possessivo. Não é o verme mas o seu verme (Rapaz! As pessoas falam sobre o grego e sobre o assunto. Vocês deveriam ver qual a palavra grega para isso. É a palavra para verme vermelho. É vermelho.  Vamos a Apocalipse 9:7-11. Em Apocalipse 9 o abismo sem fronteira se abre e algo emerge do mesmo. Dali sai a fumaça e locustas saem. Os versos 7-11 descrevem o que emerge do abismo. O que quer que apareça são mutações. São monstros. Vejam a descrição – como a face de um homem, cabelo de mulher, dente de leão e cauda como escorpiões. Essas coisas são monstros. São mutações. Não são humanos, o que quer que sejam. São pessoas numa espécie de decomposição ou algo semelhante. Alguém na passagem tem mexido no código genético. Agora, vocês sabem o que Darwin disse? Ele disse que não começou e vai decair [Comentário de Hélio: acho que o tradutor se enganou, mas não tenho o original de Ruckman par checar]. Como a descrição do abismo. Ele disse que começou lá em baixo e evoluiu. Darwin disse uma vez que você foi uma ameba e depois tornou-se um pequeno protozoário ou hidra. Logo, em breve vocês se tornaram um peixe e depois se arrastaram para a terra. Começaram a ter pés, ergueram-se e sua cauda caiu. Logo a seguir, se transformaram em homens. Alguém disse: “Charlie, de onde você tirou isso?” Darwin disse: “Bem, você tem órgãos com esses vestígios. Vocês têm essas glândulas no peito masculino sem qualquer necessidade. Vocês têm lóbulos nos ouvidos para propósitos sem serventia. Vocês tem apêndice e amígdalas [tonsilas?] que já não usam. São remanescentes do que vocês foram na forma animal. O que vocês fazem provém dos animais e vai melhorando sempre e sempre. Essas coisas que foram deixadas em vocês são do que vocês costumavam ser, quando animais”. Certa vez tive um pensamento horripilante. Pensei comigo mesmo: “e se essas coisas fossem proféticas?  E  se essas coisas são aquilo em que você vai se transformar?”  Pensem nisso.

Agora, sabem de uma coisa? Quando Cristo vier, vocês sabem a que nós – pessoas salvas – nos assemelharemos quando ele vier? Seremos semelhantes a Ele. Amém? Cristo disse: Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer o desejo de vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque  não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira (João 8:44).  Se falho em minha suposição (estou apenas conjeturando agora), no julgamento do Trono Branco, quando um homem perde a sua alma, ele assume a forma de seu pai. Sabem quem é o seu pai? O seu pai é a grande serpente vermelha (Apocalipse 12 e Gênesis 3). Ele voltaria a isso.

Se isso for verdade, vocês sabem o que é o inferno? O inferno é uma enorme pilha de vermes vermelhos se arrastando uns sobre os outros, num lago de fogo. Vocês sempre amaram a carne. Não foi? Será apenas carne sobre carne e a Bíblia diz: E sairão e verão os cadáveres dos homens que prevaricaram contra mim; porque o seu verme nunca morrerá, nem o seu fogo se apagará; e serão um horror a toda a carne (Isaías 66:24). Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma? Ou que dará o homem em recompensa da sua alma?” (Mateus 16:26). Você sabe o que é uma alma. É o contorno de um corpo. Jamais foi outra coisa.Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna (João 3:16). Como escaparemos nós, se não atentarmos para uma  tão grande salvação, a qual, começando a ser anunciada pelo Senhor, foi-nos depois, confirmada pelos que a ouviram (Hebreus 2:3). Vocês sabem o que significa “perecer”? Vocês perdem suas almas, o contorno dos seus corpos. Você quer perecer? O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é longânimo para conosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se (2 Pedro 3:9). Não negligenciem a salvação de suas almas, por mais nem um minuto. Nem mais um segundo. Sejam salvos agora!




Corrigido em 29/01/01

Autor: Peter Ruckman
Tradutor: desconhecido



O vídeo deste sermão pode ser visto em Body, Soul and Spirit - A Chalk Talk Message by Dr. Peter Ruckman, e o livro pode ser comprado em Amazon.com: Body Soul and Spirit: Books: Dr Peter S Ruckman



Hélio de M.S. concorda com a linha principal desse estudo (tricotomia, necessidade de salvação), mas não necessária e irrestritamente com cada palavra e modo de dizê-la (neste e noutros escritos do autor).




Todas as citações bíblicas são da ACF (Almeida Corrigida Fiel, da SBTB). As ACF e ARC (ARC idealmente até 1894, no máximo até a edição IBB-1948, não a SBB-1995) são as únicas Bíblias impressas que o crente deve usar, pois são boas herdeiras da Bíblia da Reforma (Almeida 1681/1753), fielmente traduzida somente da Palavra de Deus infalivelmente preservada (e finalmente impressa, na Reforma, como o Textus Receptus).



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A IMORTALIDADE DA ALMA

[e sono da alma, aniquilacionismo, aniquilacionista, mortalismo, mortalista, adventismo,  sabatismo, sabatista, etc.]


Pr Airton Evangelista da Costa

A doutrina aniquilacionista defende cessação total da vida no ato da morte. A alma, princípio vital, sucumbe com o corpo na sepultura. Ao descer ao pó, o homem, desaparece por completo. Todavia, segundo essa teoria, os justos ressuscitarão no tempo oportuno e voltarão à condição original de alma vivente.

O castigo dos ímpios seria o de não viver para sempre com Jesus. A morte para estes seria realmente a separação eterna de Deus. Neste caso, não haveria os diferentes graus de castigo, segundo as obras de cada um.

"O aniquilacionismo defende que, após a morte, a alma do ímpio não será punida eternamente num inferno literal, mas, ao invés disso, simplesmente deixará de existir. O aniquilacionismo constitui um meio termo entre o universalismo indiscriminado e a doutrina cristã tradicional da condenação eterna. É defendido pelas testemunhas de Jeová, pelos adventistas do sétimo dia, pela Igreja Mundial de Deus, e muitos outros grupos religiosos em atividade atualmente" (Dicionário de Religiões, Crenças e Ocultismo, George A. Mather).

O Antigo Testamento é pouco elucidativo quanto à vida após a morte. É no Novo Testamento que vamos encontrar indicações mais claras a respeito do assunto. Comecemos pela formação do homem no Éden, onde pela primeira vez, a palavra alma é registrada:
"Formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou-lhe nas narinas o fôlego da vida, e o homem tornou-se alma vivente. Então da costela que o Senhor Deus tomou do homem, formou a mulher, e a trouxe ao homem" (Gn 2.7,22).
Deus criou os animais sem soprar em suas narinas e os chamou de "répteis de alma vivente [criaturas que vivem e se movem]" (Gn 1.20,21), diferentes do homem que recebeu o fôlego diretamente de Deus. Os seres humanos possuem portanto algo que veio diretamente da substância de Deus. A esse fôlego damos o nome de alma. Vejamos agora o significado das palavras "alma" e "espírito" no hebraico e no grego, línguas originais do Antigo e do Novo Testamento, respectivamente.

Alma, hebraico "nephesh". Significados principais: alma, ego, vida, pessoa, coração; refere-se à essência da vida, ao ato de respirar, tomar fôlego.

Alma, grego psyche. Significados principais: a vida natural do corpo; vida; a parte imaterial, invisível do homem, o homem interior (Mt 10.28; At 2.27; 1 Rs 17.21).

Espírito, hebraico "ruah". Significados principais: respiração, ar, força, vento, brisa, ânimo, humor, Espírito. Vejamos alguns exemplos: respiração que, quando volta, a pessoa é reavivada: 
"E [Sansão] bebeu [água]; e o seu espírito[literalmente, respiração] tornou, e reviveu" (Jz 15.19); elemento de vida no homem, o seu "espírito" natural: "E expirou toda carne que se movia sobre a terra [...] Tudo o que tinha fôlego de espírito de vida em seus narizes" (Gn 7.21.22). Estes versículos dizem que os animais também possuem "espírito", porém o homem recebeu o "fôlego" de forma diferente.

Espírito, grego pneuma. Significados principais: vento, respiração; parte imaterial, invisível do homem (Lc 8.55; At 7.59; 1 Co 5.5; Tg 2.26); o Espírito Santo; o homem interior, com relação aos crentes; os espíritos imundos, demônios; o corpo da ressurreição (1 Co 15.45; 1 Tm 3.16; 1 Pe 3.18). (Fonte: Dicionário VINE, W.E.Vine, Merril F. Unger, William White Jr., CPAD, 2002, 1a. Edição).

Em 
Isaías 26.9 o profeta apresenta nephesh e ruah como sinônimos: "Com minha alma te desejei de noite e, com o meu espírito, que está dentro de mim, madrugarei a buscar-te". Parece indicar que a alma está ligada aos sentimentos ("te desejei"), sendo o espírito o elemento vital de comunicação com Deus.

A Bíblia não faz uma nítida distinção entre alma e espírito. Maria, mãe de Jesus, orou assim: 
"A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador" (Lc 1.46-47). Jesus, no Getsêmani: "A minha alma está profundamente triste, numa tristeza mortal" (Mt 26.38). Na cruz, Ele bradou: "Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito" (Lc 23.46). Por isso, para efeito deste trabalho, chamaremos de alma ou espírito a parte imaterial que se separa do corpo na hora da morte.

A alma foi doada ao homem no momento de sua formação, conforme Gênesis 2.7, onde se lê que o homem tornou-se "alma vivente". A condição expressa no verso 17 - "certamente morrerás" - sugere uma imortalidade humana. Subtende-se que se o primeiro casal não comesse do fruto proibido, não passaria pela morte física nem perderia a comunhão com o Criador.

O primeiro casal não morreu logo após desobedecer, ou seja, não desceu ao pó, mas ficou potencialmente sujeito à morte física. Contudo, a sua morte espiritual foi imediata (Gn 3.7-13). Depois que o pecado afetou de forma negativa a raça humana, passou a haver separação da pessoa, na morte, em corpo, que volta à terra, e em espírito que volta a Deus (Ec 12.7).

Analisemos 
Eclesiastes 12.7- “E o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu.”

... O pneuma-espírito não desce à sepultura. Ele é parte inerente ao homem, mas não o é do corpo sem vida. Na morte há uma separação. Os contradizentes argumentam que se todos os espíritos voltam a Deus, então, como defende o universalismo, todos se salvam. Tal argumento não deve prevalecer. Basta ler o verso anterior:
“6 ¶ [Lembra-te também do teu Criador] ... Antes que se rompa o cordão de prata, [isto é, antes que a morte chegue e se desmanche a coluna vertebral] " (v.6). É nessa condição de homem arrependido e voltado para Deus, que a alma imortal, separada do corpo na hora da morte, "volta para Deus, que a deu".

O contexto ressalta a fragilidade da vida do homem que vive sua vida sem temer a Deus, sem sequer se lembrar do seu Criador, sem nenhuma preocupação com a vida espiritual futura. A imagem de um corpo que se transforma em pó contrasta com a situação de vaidade e orgulho dos que não se submetem à vontade do Criador. Eclesiastes 12.7 mostra que a alma é imortal, e não morre com o corpo, nem com o corpo dorme na sepultura, mas segue imediatamente para Deus.

Dando mais luz ao contido em Gn 3.19 e Ec 12.7, Jesus disse que quando descemos ao pó a nossa parte imaterial e invisível sobrevive, não morre:
"E não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei antes aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo" (Mt 10.28).

Seus discípulos aprenderam a lição. Sabiam que a morte não era o fim de tudo. Herodes poderia degolar João Batista, mas jamais poderia extinguir a sua alma. Pedro poderia ser crucificado de cabeça para baixo; outros poderiam ser brutalmente assassinados, mas suas almas permaneceriam intocáveis. Jesus não deixa dúvida quanto à imortalidade e sobrevivência da alma. Por isso, na parábola, disse que 
"Lázaro morreu e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão". O rico, que vivia na opulência, poderia até ter tirado a vida do mendigo, mas a alma deste não seria atingida.

Conhecedor desta verdade, o apóstolo Paulo afirma que 
"para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho...mas de ambos os lados estou em aperto, tendo desejo de partir e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor" (Fp 1.21-23). Estava Paulo realmente consciente de que iria apodrecer no sepulcro e nada dele sobraria até a ressurreição? Neste caso não haveria qualquer lucro imediato. Melhor seria continuar vivo e pregando o Evangelho. Mas ele tinha a promessa do Autor da Vida: a sua alma não morrerá. "Partir e estar com Cristo" transmite uma idéia de trânsito sem interrupção. Esta interpretação se torna mais consistente quando consideramos Lucas 23.43, 46, e Atos 7.59.

O EXTERMÍNIO DOS ÍMPIOS

Os mortalistas alegam que se os que morrem em Cristo seguem diretamente para o céu, por que motivo Deus os tiraria de lá para se unirem a seus corpos? Considerando que defendem a total extinção dos ímpios, respondemos com outra pergunta: "Por que Deus tiraria os ímpios de suas sepulturas (Ap 20.5) para em seguida aniquilá-los? Eles já não estão mortos? Ora, na ressurreição do corpo - uns para a vida de eterna comunhão com Deus, outros para a eterna separação de Deus - ocorre uma recomposição alma-corpo, e o homem retorna à condição original de alma vivente (Gn 2.7), porém agora, quanto aos salvos, num estado de glorificação.

Li em determinado endereço na internet que o objetivo da segunda ressurreição, a dos ímpios (Ap 20.5) é "simples regresso à vida, à vida física, prelúdio de destruição total e definitiva (Dn 12.2 - 2a parte)". Vejamos o que diz o texto:
"E muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para vergonha e desprezo eterno" (Dn 12.2). Os contradizentes desejam aniquilar a alma do homem, na morte, e também aniquilar os ímpios após a ressurreição destes. Mas o texto apresentado não aprova tal raciocínio. Os ímpios ressuscitarão "para vergonha e desprezo eterno", ou seja, estarão eternamente envergonhados e desprezados, afastados de Deus. Jesus fala que os maus sofrerão a ressurreição "da condenação" (Jo 5.28,29). O inferno é lugar de "tribulação e angústia" (Rm 2.9) e de "pranto e ranger de dentes" (Mt 22.13; 25.30). Tais castigos só podem ocorrer em corpos vivos. A ressurreição dos ímpios dar-se-á para serem julgados e castigados segundo as más obras de cada um. É um exagero afirmar que a ressurreição dos ímpios é um "prelúdio" do extermínio.

GRAUS DE CASTIGO

A doutrina da pena de morte para os ímpios não consegue responder satisfatoriamente como serão aplicados os diferentes graus de castigo. Ora, se os ímpios sofrerem a pena capital, não haverá diferentes graus de punição.

"Assim como haverá diferentes graus de glória no novo céu e na nova terra, também haverá diferentes graus de sofrimento no inferno. Aqueles que estão eternamente perdidos sofrerão diferentes graus de castigo, conforme os privilégios e responsabilidades que aqui tiveram" (Notas Bíblia de Estudo Pentecostal). Vejam os textos pertinentes:
"Virá o Senhor daquele servo no dia em que o não espera e numa hora que ele não sabe, e separá-lo-á, e lhe dará a sua parte com os infiéis". E o servo que soube da vontade do seu senhor e não se aprontou, nem fez conforme a sua vontade, será castigado com MUITOS AÇOITES. Mas o que a não soube e fez coisas dignas de açoites com POUCOS AÇOITES será castigado..." (Lc 12.46-48).

"Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que devorais as casas das viúvas, sob pretexto de prolongadas orações. Por isso, SOFREREIS MAIS RIGOROSO JUÍZO" (Mt 23.14). (Mc 12.40 diz:"...Estes receberão juízo muito mais severo"; Lucas 20.47 diz"... Estes receberão maior condenação").

"De quanto maior castigo cuidais vós será julgado merecedor aquele que pisar o Filho de Deus, e tiver por profano o sangue da aliança com o qual foi santificado, e ultrajar o Espírito da graça?" (Heb 10.29).

"Uma é a glória do sol, e outra, a glória da lua; e outra, a glória das estrelas; porque uma estrela difere em glória de outra estrela. Assim também a ressurreição dos mortos. Semeia-se o corpo em corrupção; ressuscitará em incorrupção. " (1 Co 15.41,42).


Os crentes fiéis receberão galardões: Mt 5.11,12; 25.14-23; Lc 19.12-19; 22.28-30; 1 Co 3.12-14; 9.25-27;2 Co 5.10; Ef 6.8; Hb 6.10; Ap 2.7,11,17,26-28; 3.4,5;12,21. Os crentes menos fiéis receberão poucos galardões, ou nenhum (Ec 12.14; Mt 5.19; 2 Co 5.10).

Ainda sobre o "extermínio dos ímpios, convém esclarecer que o verbo "perecer" em Mateus 10.28 não significa exterminar. Vejamos seu real significado no grego, língua original do Novo Testamento, tudo conforme o conceituado Dicionário VINE, de W.E. Vine, Merril F. Unger, William White Jr., CPAD, edição 2002, Rio.


"Perecer"1 - apollumi, "destruir", significa, na voz média, "perecer", e é usado acerca de:
(a) coisas
 (por exemplo, Mt 5.29.30; Lc 5.37; At 27.34 [em alguns textos piptõ, "cair"]; Hb 1.11; 2 Pe 3.6; Ap 18.14-segunda parte...
(b) pessoas (por exemplo, Mt 8.25; Jo 3.15, 16; 10.28; 17.12, "se perdeu"; Rm 2.12; 1 Co 8.11; 15.18; 2 Pe 3.9; Jd 11). Em 1 Co 1.18 ["Porque a mensagem da cruz é loucura para os que estão perecendo..."], literalmente, "perecendo", onde a força perfectiva do verbo implica a conclusão do processo. Quanto ao significado da palavra, veja DESTRUIR".

"Destruir"
1 - apollumi, forma fortalecida de ollumi, significa "destruir totalmente"; na voz média, "perecer". A idéia não é de extinção, mas de ruína, perda, não de ser, mas de bem-estar. Isto é claro pelo uso do verbo, como, por exemplo, o estrago dos odres de vinho (Lc 5.37); a ovelha perdida, ou seja, perdida do pastor, estado metafórico de destituição espiritual (Lc 15.4,6, etc.); o filho perdido (Lc 15.24); o perecimento da comida (Jo 6.27), do ouro (1 Pe 1.7). O mesmo com relação às pessoas (Mt 2.13; 8.25; 22.7; 27.20); à perda da felicidade no caso dos não-salvos (Mt 10.28; Lc 13.3,5; Jo 3.15, em alguns manuscritos; Jo 3.16; 10.28; 17.12; Rm 2.12; 1 Co 15.18; 2 Co 2.15; 4.3; 2 Ts 2.10; Tg 4.12; 2 Pe 3.9).

2 - kataluõ, formado de kata, para baixo, elemento intensivo, e o n. 4, "destruir totalmente", "subverter completamente", é verbo que ocorre em Mt 5,17 duas vezes acerca da lei); Mt 24.2; 26.61; 27.40; Mc 13.2; 14.58; 15.29; Lc 21.6 (acerca do templo); em At 6.14, diz respeito a Jerusalém; em Gl 2.18, fala acerca da lei como meio de justificação; em Rm 14.20, da ruína do bem-estar espiritual de uma pessoa (em Rm 14.15, o verbo appolumi, n. 1, é usado no mesmo sentido). Em At 5.38,39, acerca do fracasso dos propósitos; em 2 Co 5.1, da morte do corpo".

Portanto, nem sempre a expressão PERECER significa destruição, extermínio, eliminação do ser. Vejamos o que diz o evangelho sinótico de Lucas:"Temam aquele que, depois de matar o corpo, tem poder para lançar no inferno" (Lc 12.5b).Eis a Bíblia se explicando a si mesma. O sinótico de Lucas, para não pairar dúvidas, não usa o verbo apollumi-perecer, mas emballõ-lançar (separar, lançar, arremessar, atirar, jogar, lançar em). Ballõ-lançar é um sinônimo traduzido como lançar, arremessar, jogar (Mt 5.29; 18.8; Ap 2.10.24; 20.3,10,14,15). Então Mateus 10.28b deve ser lido assim: "...tem o poder para lançar no inferno alma e corpo". Logo, lançar ou perecer no inferno não significa aniquilamento.

Os mortalistas apresentam também o seguinte texto como prova do extermínio dos maus: 
"Os quais, por castigo, padecerão eterna perdição, ante a face do Senhor e a glória do seu poder" (2 Ts 1.9).

Contestação - O versículo diz exatamente o contrário do que desejam os defensores da pena de morte. Os ímpios serão banidos da face do Senhor, para serem castigados (cf.Ap 20.10)."Destruição/perdição/banimento" (elethros) nesse caso, como já vimos, significa perda de bem-estar, ruína, separação eterna da comunhão de Deus, tal como já explicado a análise de Mateus 10.28b ("perecer no inferno"). Neste sentido é usado em Mt 7.13, Jo 17.12, 2 Ts 2.3. Adão foi expulso do Éden, banido da face do Senhor, e experimentou imediata perdição/morte espiritual. 
"Pois assim como em Adão todos morrem, também da mesma forma em Cristo serão vivificados" (1 Co 15.22). Ademais, o próprio texto diz: "separados/banidos da presença do Senhor". A advertência do Senhor continua válida nos dias de hoje. Se formos desobedientes, certamente morreremos (Gn 2.17).

Mais um: "
Porque eis que aquele dia vem ardendo como fornalha; todos os soberbos, e todos os que cometem impiedade, serão como a palha; e pisareis os ímpios, porque se farão cinza debaixo das plantas de vossos pés, naquele dia que estou preparando, diz o Senhor dos Exércitos" (Ml 4.1,3).

Contestação - Realmente, os ímpios serão destruídos. O texto fala de pessoas vivas que serão exterminadas no Dia do Senhor ("aquele dia"). Esses ímpios a serem aniquilados ressuscitarão no tempo devido (Jo 5.29; Ap 20.5). Depois, corpo e alma serão lançados no inferno (Mt 10.28; Lc 12.5), onde 
"serão atormentados dia e noite, pelos séculos dos séculos" (Ap 20.10,14,15). Malaquias 4.1,3 se coaduna com outras passagens que falam das últimas coisas. Vejamos:"Porque como um fogo purificador ele é..." (Ml 3.2-a); "Colocarei sinais nos céus e sobre a terra, sangue e fogo e colunas de fumaça" (Jl 2.30); "Os céus e a terra que agora existem, estão reservados para o fogo, guardados para o dia do juízo e da destruição dos ímpios (2 Pe 3.7). Um terça parte dos homens serão mortos ao soar da sexta trombeta, por fogo, fumaça e enxofre (Ap 9.15,17). No Dia do Senhor, no tempo em que Deus derramará seus juízos sobre a terra, os ímpios que existirem na terra experimentarão a primeira morte, a morte física. Depois da ressurreição, virá a morte eterna, a eterna separação de Deus (Ap 20.14,15;21.8; 22.15).

Portanto, o texto sob análise não reforça a tese do aniquilamento. Dentro do mesmo contexto e interpretação estão os demais textos que falam em extermínio e perdição dos ímpios (Sl 34.16;37.9.10,38; 145.20. Fp 3.19). Em tais casos, "perecer", "destruir", "perdição" falam da destituição e alienação espirituais provenientes de Deus. São exemplos João 3.16 ("não pereça, mas tenha a vida eterna") e Mateus 10.6 ("ovelhas perdidas da casa de Israel").

A tese do extermínio dos ímpios enfrenta outra dificuldade. Jesus revelou que os justos ressuscitarão "para a vida", e os ímpios, "para serem condenados" (Jo 5.29); na carta aos romanos Paulo indica que 
"haverá tribulação e angústia para todo ser humano que pratica o mal" (Rm 2.9); em Daniel 12.2 lê-se que os ímpios ressuscitarão "para a vergonha e desprezo eterno"; Apocalipse 14.11 diz que não haverá descanso "nem de dia nem de noite" para os adoradores da besta; Apocalipse 20.10 anuncia que os que forem lançados no lago de fogo "serão atormentados dia e noite, para todo o sempre"; Jesus declara que os insensatos e hipócritas serão punidos severamente num lugar "onde haverá choro e ranger de dentes" (Mt 8.12; 24.51; 25.30), e onde estarão amarrados, em trevas, para todo o sempre (Mt 22.13).

Convenhamos, defunto não chora, não se angustia, não range dentes, não passa por tribulação, não se atormenta, não sente vergonha ou desprezo. Logo, não deve prevalecer a idéia de que os ímpios serão exterminados. Deus não ressuscitará os ímpios para exterminá-los em seguida (Ap 20.5). Agiria assim para que morram "conscientes" da punição? De maneira alguma. É uma impropriedade alegar que a ressurreição é um prelúdio da morte. Reviver para morrer, sair da sepultura para, em seguida, retornar à sepultura - sinceramente, se trata de um pensamento que colide frontalmente com a Palavra. A ressurreição do corpo é para que viva; não para que morra. Não fosse assim, não haveria razão para ressuscitar os que já se acham mortos.

Em resumo, a tese do extermínio dos ímpios é incompatível com a doutrina dos diferentes graus de castigo e contrária ao ensino da Bíblia. O assunto voltará a ser tratado mais adiante.

DUALIDADE E SOBREVIVÊNCIA DA ALMA

A separação alma-corpo por ocasião da morte está expressa, por exemplo, nas palavras de Jesus: "Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito. E, havendo dito isto, expirou". Havendo morrido como homem, e não como Deus, a alma de Jesus também separou-se do seu corpo na morte. O primeiro mártir cristão, Estevão, também entregou seu espírito: "Senhor Jesus, recebe o meu espírito" (At 7.59). Salomão tinha razão quando disse que o corpo desce ao pó, mas o espírito segue seu destino (Ec 12.7), confirmando haver uma separação na hora da morte.
"E disse [o ladrão] a Jesus: Senhor, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino. E disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso" (Lc 23.42,43).

A declaração de Jesus ao ladrão arrependido é a mais clara aplicação da salvação pela graça, mediante a fé, conforme Efésios 2.8-9. Além disso, o texto revela a dualidade do homem, a separação e sobrevivência da alma por ocasião da morte. Tão grande pedra no caminho dos mortalistas não poderia deixar de ser rejeitada com muito alarido e pouca consistência. Apresentam as seguintes objeções, cabalmente refutáveis.

Primeiro - Dizem que em algumas versões está escrito "quando vieres no teu reino" , e não "quando entrares no teu reino". Assim, desejam convencer que a alma do ladrão não iria imediatamente para o céu, mas esperaria a volta de Jesus para ressuscitar.

Contestação -
(a) A segunda parte do texto dirime qualquer dúvida que possa existir com relação à primeira. Jesus declara que o ladrão arrependido subiria para o céu naquele mesmo dia. Em nenhuma hipótese devemos duvidar das palavras de Jesus, a menos que renunciemos à nossa condição de cristãos.
(b) O ladrão arrependido passou a fazer parte do reino de Deus no momento em que aceitou o senhorio de Jesus. Sabendo que o ladrão morreria naquele mesmo dia, e que, na qualidade de salvo, sua parte imaterial iria para o céu, Jesus declarou sem rodeios: "Hoje estarás comigo no paraíso". É muito provável que o ladrão não conhecesse o ensino da volta de Jesus. A interpretação mais provável, portanto, é "quando entrares no seu reino".
(c) De qualquer modo, Jesus nos ensinou que as almas dos crentes seguem direto para o céu. Com isto, o ladrão morreu com a certeza de se encontrar com Ele no paraíso.
(d) A palavra grega erchomai é traduzida também como "vir" (Mt 2.2; 24.46), "ir" (Jo 20.1; 1 Co 4.19), chegar (Mt 8.14; 13.54), partir (Mc 8.10; 9.33). Em razão disso, algumas versões registram, "quando vieres no seu reino", e outras, "quando entrares no seu reino".
(e) O ladrão leu a placa com a declaração em grego, romano e hebraico: "Este é o Rei dos judeus" (Lc 23.38) que fora colocada na cruz, teve certeza de que Jesus reinaria em algum lugar e manifestou o desejo de participar desse reino. Na verdade Jesus começou a reinar ali mesmo no coração do arrependido malfeitor. Então, quando estiveres, chegares, entrares no seu reinado, lembra-te de mim. Qualquer dúvida que possa subsistir desvanece diante da declaração de Jesus: "
Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso".
Segundo - Os contradizentes alegam que na Tradução Trinitariana, em português, editada em 1883, pela "Trinitarian Bible Society" de Londres, Diz: "Na verdade te digo hoje, que serás comigo no Paraíso".

Contestação - A versão apresentada atende aos interesses dos contradizentes. É importante registrar que em edições mais recentes, em português, da SBTB - Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil, o versículo está redigido assim:
"Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso". Então, se torna inconsistente o argumento que defende a transcrição correta somente na edição de 1883, sem esclarecer o porquê de tal discriminação. Eleger uma versão em detrimento de outras, somente porque determinado registro atende a determinada crença, não me parece um sólido argumento.

Terceiro - Alegam também, em defesa da inexistência da alma imortal, que a expressão "hoje" ligada ao verbo não é redundante, mas enfática, tal como encontrada em Zacarias 9:12 e Atos 20:26. Justificam assim a versão "digo-te hoje: estarás comigo no paraíso". Contestação - Devemos buscar a ênfase no contexto. Logo após garantir que o malfeitor estaria com Ele no paraíso, Jesus, para confirmar tal assertiva, entregou ao Pai seu próprio espírito. Os textos apresentados (Zc 9.12 e At 20.26) não servem para elucidar a questão. Vários exemplos podem ser citados em que inexiste a expressão "digo hoje": "Em verdade vos digo que eles já receberam..." (Mt 6.2); "Em verdade vos digo que, entre os que de mulher têm nascido..." (Mt 11.11).

Quarto - Para contornar o problema, alegam que o ladrão não morreu naquele mesmo dia. Dizem que os crucificados passavam até sete dias sofrendo. Afirmam que "Cristo foi caso excepcional e que sabemos que não morreu dos ferimentos ou da hemorragia, mas do quebrantamento do coração. Morreu de dor moral por causa dos pecados do mundo. Mas os outros, não, e as crônicas descrevem o condenado esvaindo-se lentamente durante dias". Alegam mais que "de acordo com o costume, quebravam as pernas dos criminosos depois de os haverem removido da cruz, deixando-os estendidos no chão, até que o sábado passasse. Depois do sábado haver passado, sem dúvida esses dois corpos foram outra vez amarrados na cruz, e lá ficaram diversos dias até morrerem..."
Contestação - Como não podem negar a morte de Jesus na sexta-feira, apelam por alongar a agonia dos malfeitores crucificados. Ao dizer que Jesus morreu de "dor moral", negam a existência de hemorragia no Seu corpo, a asfixia, o enfraquecimento físico. Tal afirmação colide com diagnósticos de profissionais. O Dr. Barbet, médico francês, professor e cirurgião, que por treze anos viveu na companhia de cadáveres, após dissertar sobre o sofrimento de Jesus, dá o seu diagnóstico:

"Todas as suas dores, a sede, as cãibras, a asfixia, o latejar dos nervos medianos, lhe arrancaram um lamento: "Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?". Jesus grita: "Tudo está consumado!". Em seguida num grande brado disse: "Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito". E morre".

O Professor Pierluigi Baima Bollone diretor do Instituto de Medicina Legal da Universidade de Torino - Itália, relata em seu último livro, "Os últimos dias de Cristo". que a causa final da morte de Jesus foi "asfixia, complicada por ataque cardíaco terminal, e trombose coronária, ocorridas depois de poucas horas sobre a cruz, pois Jesus se encontrava fraco, devido as torturas recebidas. Todos estes dados são perfeitamente compatíveis com o que se lê nos evangelhos".

Vejamos o relato bíblico a respeito da morte dos ladrões:
"Os judeus, pois, para que no sábado não ficassem os corpos na cruz, visto como era a preparação (pois era grande o dia de sábado) rogaram a Pilatos que se lhes quebrassem as pernas, e fossem tirados. Foram, pois, os soldados e, na verdade, quebraram as pernas ao primeiro e ao outro que com ele fora crucificado. Mas, vindo a Jesus e vendo-o já morto, não lhe quebraram as pernas" (Jo 19.31-33).

Quebrar as pernas dos crucificados tinha o objetivo de apressar a morte. Sem o apoio dos pés, o corpo ficava seguro apenas pelos pulsos, o que causava forte pressão sobre o tórax. A morte viria rapidamente.

Quinto - Alegam que Jesus não foi para o Pai logo após a morte. Apresentam como justificativa o que Jesus disse a Maria Madalena: "Não me detenhas, porque ainda não subi para meu Pai" (Jo 20.17 a). Sob a ótica da não sobrevivência da alma, dizem que Jesus devolveu ao Pai o sopro, a vida dele recebida. Assim explicam: "Era este fôlego que Cristo e Estevão não podendo reter, quando estavam prestes a expirar (e expirar significa soltar o fôlego, exalá-lo definitivamente), pediram ao Pai que o recebesse de volta. (Atos 7:59 e Lucas 23:46). Mas não era parte consciente, pois Cristo, dias depois, ressurreto, dissera: "Ainda não subi para Meu Pai."
Contestação - Creio que todas as afirmações de Jesus são verdadeiras. Os mortalistas se agarram na frágil argumentação segundo a qual o espírito de Jesus não subiu ao Pai porque Ele mesmo o revelou a Madalena (Jo 20.17). Somente em duas hipóteses Jesus não entregou seu espírito ao Pai. Primeira, Ele não falou isso, e os evangelhos mentem; segunda, de fato Ele entregou seu espírito, mas o Pai não o recebeu. Nenhuma dessas hipóteses é viável. "Não me detenhas, porque ainda não subi para meu Pai" diz respeito à subida de seu corpo ressurreto. Passados quarenta dias é que se deu sua ascensão corporal.

Na ótica dos mortalistas não existe separação entre corpo e espírito por ocasião do falecimento. Admitem que o retorno à vida, como no caso de Lázaro (Jo 11.43) e da ressurreição coletiva (1 Ts 4.16-17), é resultado de novo sopro de Deus.

Jesus e Estevão não entregaram um simples sopro, nem Jesus disse ao ladrão que o seu "sopro" estaria subindo para o céu juntamente com o seu próprio "sopro". Nem sempre se pode traduzir psyche como "sopro". Vejamos se seria possível tal construção:

"Não temais os que matam o corpo, e não podem matar o "sopro"; temei antes aquele que pode fazer perecer no inferno tanto o "sopro" como o corpo" (Mt 10.28).

Após a morte a alma continua existindo. Na sua visão apocalíptica, o apóstolo João validou essa realidade: 
"E, havendo aberto o quinto selo, vi debaixo do altar as almas dos que foram mortos por amor da palavra de Deus...e clamavam com grande voz..." (Ap 6.9-10). De nenhum modo se pode deduzir que os "sopros" dos mortos estavam vivos e conscientes. As "almas dos que foram mortos" estavam no céu, e oravam para que os ímpios que rejeitaram a Deus e mataram os seus seguidores recebessem a justiça divina.

Para Apocalipse 6.9-10 os mortalistas afirmam que é tudo simbólico, mas depois apresentam uma bizarra interpretação: "Estas "almas" eram as pessoas vítimas da matança do cavaleiro chamado Morte, descrito no quarto selo. Queremos dizer que as "almas" que aparecem sob o quinto selo foram mortas sob o selo precedente, dezenas ou mesmo centenas de anos antes, portanto os perseguidores já estavam mortos, e ainda de conformidade com a teologia popular deveriam já estar no inferno, portanto já sofrendo a punição, sendo inócuo, pois, o clamor por vingança" (http://www.jupiter.com.br/iasd/pmc2/outras2.htm [este é um site dos adventistas do sétimo dia])

Contestação - O que dizer de: 
"E vi almas daqueles que foram degolados pelo testemunho de Jesus..." (Ap 20.4)? Se são "almas das pessoas", confirma-se a sobrevivência das almas, pois não há registro de que essas pessoas haviam ressuscitado. Se a Bíblia diz que eram almas dos mortos, então realmente o eram. Seriam elas o "sopro" dos que foram degolados?. Claro que não.
A mensagem nos diz que as almas se separam dos corpos, e sobrevivem, conforme referendado em outros textos. Não procede o argumento de que as almas referidas são de pessoas que morreram centenas de anos antes. Esses eventos ocorrerão num período de sete anos, tempo de duração da grande tribulação, a "septuagésima semana de Daniel" (Dn 9.27;Ap 11.2; 13.5).

Em Lucas 16.22 está escrito, conforme palavras de Jesus, que o mendigo Lázaro morreu e 
"foi levado pelos anjos para o seio de Abraão". A alma do injusto rico seguiu para um lugar de tormentos. O apóstolo Paulo desejou"partir e estar com Cristo, o que é muito melhor" (Fp 1.23). Esta afirmação denota mudança imediata, sem interrupção, sem intervalo. Demonstra que Paulo sabia que a sua alma entraria imediatamente na presença de Deus.

A imortalidade da alma não é doutrina estranha às sagradas Escrituras. Creio na verdade dita por Jesus: podem matar o corpo, mas a alma não morrerá. Vejamos mais uma vez: 
"E não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei antes aquele que pode fazer perecer no inferno a alma e o corpo" (Mt 10.28).
"Não temais os que matam o corpo e, depois, não têm mais que fazer. Mas eu vos mostrarei a quem deveis temer; temei aquele que, depois de matar, tem poder para lançar no inferno; sim, vos digo, a esse temei". (Lc 12.4-5).

O texto acima contradiz duas teses dos aniquilistas:
(a) A da morte da alma com o corpo;
(b) A do extermínio dos ímpios. Alegam que "matar o corpo e não podem matar a alma" significa não poder matar o transcendente, a mente ou ego. Alegam também que se Jesus declara que Deus pode fazer perecer no inferno alma e corpo, é porque a alma é mortal.

Contestação - Os contradizentes afirmam que quando o homem morre, tudo se acaba. Somente na ressurreição é que ressurgem corpo, consciência e todo o complexo ser humano. O texto, por sua clareza, dispensaria comentários. "Matar o corpo, mas não podem matar a alma", dar autenticidade a Lucas 16.22 (Lázaro levado pelos anjos), Atos 7.59 (Estevão entregando seu espírito), Filipenses 1.23 (Paulo desejando morrer para estar com Cristo), Lucas 23.43 (o malfeitor arrependido sendo levado para o céu), Lucas 23.46 (o próprio Jesus entregando o seu espírito), Eclesiastes 12.7 (a alma se desliga e volta a Deus), Apocalipse 6.9 (almas dos mortos), Tiago 2.6 (corpo sem o espírito), Mateus 17.3 (Moisés na transfiguração), 2 Coríntios 5.8 (deixar o corpo e habitar com o Senhor), Mateus 22.32 (Deus não é Deus dos mortos, mas de vivos).

A MORTE DA ALMA

Examinemos algumas das provas apresentadas pelos mortalistas.

"Certamente morrerás", castigo prometido ao homem, em caso de desobediência (Gn 2.17), versículo muito usado na defesa do dogma da pena de morte para a alma. Alegam que como o homem foi feito "alma vivente" (Gn 2.7), ao morrer, morre a alma vivente e tudo se extingue. Alguns alegam que o homem, por não haver comido da árvore da vida (Gn 4.22-24), não se tornou imortal.

Contestação - Os contradizentes se apegam ao termo "alma vivente" na tentativa de demonstrar que o homem sendo uma alma que vive, morrendo o homem, morre a alma. Ocorre que o hebraico nephes, mencionado mais de 780 vezes no AT, é traduzido por alma, ego, vida, pessoa, coração. A mesma palavra nephes é usada para descrever animais da terra, em distinção aos pássaros e peixes. Nesta concepção, são seres ou criaturas viventes (Gn 1.24,28,30). Quanto ao homem, a palavra passa a significar pessoa que vive. Uma importante diferença existe na criação de homens e animais. O homem foi criado de um modo todo especial. Além de haver sido feito à imagem e semelhança do Criador, Deus soprou em suas narinas. Não houve sopro nas narinas dos animais. Temos, portanto, em nosso ser uma substância divina que veio diretamente do Ser Divino. A isso chamamos alma, que, segundo as palavras do próprio Criador, Jesus, é imortal e transcendente (Mt 10.28).

É possível que a árvore da vida seja símbolo das bênçãos espirituais a serem desfrutadas pelos que são lavados e remidos no sangue do Cordeiro. Após a queda, Adão foi lançado "fora do jardim do Éden" para que não tome da árvore da vida, e "viva eternamente" (Gn 3.22-23). O ressurgimento simbólico da árvore no tempo futuro (Ap 2.7;22.2,14), para desfrute dos santos imortais, desencoraja a tese de que ela seja símbolo de imortalidade. O Novo Comentário da Bíblia, assim interpreta: "Qualquer que seja a verdadeira explicação sobre a árvore, não há dúvida sobre a significação da ação de Deus ao remover o homem do jardim. O homem estava agora cortado de Deus e, portanto, no sentido mais real estava cortado da "vida": isso foi simbolizado mediante a separação entre ele e a árvore da vida". Somente quando a redenção aparece consumada é que a árvore da vida reaparece dentro do alcance do homem. Note-se que a `árvore da vida´ era símbolo do estado abençoado do homem; enquanto que a árvore da ciência do bem e do mal simbolizada o teste a que foi sujeitado o homem".

Gênesis 2.17 não fala em mortalidade da alma. Somente a partir de Eclesiastes 12.7 o assunto começa a ser revelado, até chegar na palavra de Jesus, conforme Mateus 10.28, onde diz que a alma não pode morrer.

Adão passou por duas qualidades de morte, após sua queda: em primeiro lugar e imediatamente, adveio a morte espiritual, ou seja, a eterna separação de Deus (Gn 3.6-12). Em segundo lugar, a morte física, isto é, Adão ficou sujeito a morrer fisicamente. Daí a sentença em 
Gênesis 3.19: "Pois és pó, e ao pó tornarás". Por isso, "certamente morrerás" (Gn 2.17) contempla a morte física e a morte espiritual. Esses dois tipos de morte passaram a todos os homens (Rm 5.12, cf. Mt 13.49; 25.41). A alma imortal de Adão não ficou sujeita à morte.

Os mortalistas dizem que na morte o fôlego se evapora, perde-se no ar. Eclesiastes 12.7 chama "espírito" a parte invisível que sai do corpo sem vida, e que volta para Deus. Salomão não se estendeu muito no assunto, mas nota-se que ele estava falando dos justos, cujas almas vão diretamente para Deus. Portanto, não vale dizer que Salomão ensinou a salvação universal, salvação para todos. Para colocar as coisas nos devidos lugares, Jesus explica que os justos são levados para o céu, e os desobedientes para um lugar de tormentos (Lc 16.19-31).

Continuemos na análise de alguns versículos apresentados pelos mortalistas em defesa do dogma da mortalidade da alma.

"A alma que pecar, essa morrerá" (Ez 18.4,20).Contestação - A Bíblia está falando de pessoas, de filhos com relação aos pais. .... Citar esse versículo como prova da mortalidade da alma é um lamentável equívoco. "Morte" nesse caso tem o mesmo significado que teve com relação a Adão, o de morte espiritual, compreendendo a separação de Deus. Os que estão mortos em seus pecados, afastados de Deus, porém vivos, têm ainda oportunidade de se arrependerem e aceitarem os termos da Nova Aliança em Cristo Jesus (Ez 18.21). Se, porém, não se arrependerem experimentarão a morte eterna, ou seja, a eterna separação de Deus. Estes sofrerão o eterno castigo (Ap 20.10; 14,15; 21.8).

"O salário do pecado é a morte" (Rm 6.23).Contestação - Cabe a mesma refutação do tópico anterior. Vejamos o que diz o conceituado Dicionário VINE, sobre thanatos-morte: "É usado nas Escrituras para descrever:
(a) a separação da alma (a parte espiritual do homem) do corpo (a parte material), o último cessar de funções e a volta para o pó (Jo 11.13; Hb 2.15; 5.7; 7.23).
(b) separação do homem de Deus; Adão morreu no dia em que desobedeceu a Deus (Gn 2.17), e, por conseguinte, todo o gênero humano nasce na mesma condição espiritual (Rm 5.12.14,17,21) da qual, porém, aqueles que crêem em Cristo são livres (Jo 5.24; 1 Jo 3.14). A morte é o oposto da vida; nunca denota não-existência. Assim como a vida espiritual é "a existência consciente em comunhão com Deus", assim, a morte espiritual é "a existência consciente na separação de Deus".

A IMORTALIDADE DE DEUS

"O único que possui a imortalidade que habita em luz inacessível..." (1 Tm 6.16). Este versículo é muito usado na defesa da mortalidade da alma. Dizem que o homem somente adquire imortalidade na ressurreição para a vida eterna com Cristo. Argumentam que na ressurreição o que é mortal se reveste de imortalidade (1 Co 15.54). Os outros, os que morreram sem salvação não terão tal privilégio.

Contestação - Na ressurreição dar-se-á uma recomposição do homem; o corpo volta à vida, reunindo-se à alma, e o homem retorna à condição original de ser vivente. Os crentes terão um corpo semelhante ao de Cristo (Rm 6.5; Fp 3.21). É preciso lembrar que os ímpios também ressuscitarão, e se tornarão imortais, porém terão vida de má qualidade.

"O termo athanasia expressa mais que imortalidade, sugere a qualidade da vida desfrutada, como está claro em 
2 Co 5.4: ...não queremos ser despidos, mas vestidos de novo, para que o mortal seja recolhido pela vida. O estado do crente de ser despido não se refere ao corpo no sepulcro, mas ao espírito que aguarda o "corpo da glória" na ressurreição" (Dicionário VINE, pg 703). O apóstolo Paulo faz talvez a mais importante revelação sobre a imortalidade da alma e futura união desta com o corpo. Ele fala da sua esperança não apenas de "partir e estar com Cristo" (Fp 1.23), mas de poder ser "vestido de novo", quando será consumada a redenção completa, "a redenção do nosso corpo" (Rm 8.23).

A imortalidade de que trata 1 Timóteo 6.16, refere-se a um atributo intrínseco da Divindade; uma imortalidade que pode ser traduzida por eternidade, isto é, Deus não teve começo nem terá fim. Por outro lado, Paulo assevera que os cristãos ressuscitarão em corpos físicos "imortais" (1 Co 15.53). Logo, o homem possui em potencial essa imortalidade não inerente ao seu ser, mas derivada, adquirida, doada. A imortalidade humana difere da de Deus porque não é eterna: a nossa não terá fim, mas teve um princípio.

Mortalistas há que usam o argumento do silêncio, afirmando que em lugar nenhum da Bíblia diz que as almas que estão no céu ou no inferno sairão de seus lugares para um encontro com seus corpos. Como vimos em 2 Coríntios 5.1,8, e em outras passagens, esse silêncio não é total. Se a alma não morre com o corpo (Ec 12.7; Mt 10.28; Lc 23.43,46; At 7.59; Fp 1.23), sem dúvida ela se unirá ao corpo e formará na ressurreição um corpo espiritual e imortal.

ACERCA DOS QUE DORMEM

Não sejais ignorantes acerca dos que já dormem... (1 Ts 4.13,14; cf. Dn 12.2; Mt 27.52; Mc 5.39; Lc 8.52; 1 Co 11.30; 15.6,18). A expressão "os que dormem", referindo-se aos mortos em Cristo, tem sido usada para justificar a inconsciência após a morte e a inexistência de uma alma sobrevivente e imortal. Dizem que a situação dos mortos até a ressurreição é de completa inexistência. Citam como prova irrecusável a resposta de Jesus aos discípulos: "Nosso amigo Lázaro dorme, mas vou despertá-lo" (Jo 11.11). Alegam também que Jesus nada disse sobre a situação do espírito do falecido. Para Marta e Maria seria um consolo saber que seu irmão morreu e foi para o céu.

Contestação - Primeiro, é impróprio o argumento com base no silêncio de Jesus. Não se pode firmar doutrina sobre o que não foi dito. A Bíblia aponta na direção de que somente os salvos tiveram o privilégio de voltar a viver. Estamos falando em ressuscitar, ter uma vida normal, porém mortal. São exemplos: "os santos que dormiam" (Mt 27.52-53); o filho da viúva de Serepta, (1 Rs 17.19-22); o filho da sunamita, (2 Rs 4.32-35); o defunto na cova de Eliseu (2 Rs 13.21); a filha de Jairo (Mc 5.21-23, 35-41); o filho da viúva de Naim (Lc 7.11-17); a discípula chamada Tabita, ressuscitada por Pedro (At 9.36-43); a ressurreição do jovem Êutico (At 20.9). Temos aí cinco ressuscitações provavelmente de crianças ("delas pertence o reino de Deus" - Lc 18.16).

Lázaro não estava num lugar de tormentos, condenado (Lc 16.22.23). Não podemos imaginar um ímpio, condenado, vivendo já em tormentos, retornar à vida por um milagre de Deus. Entendemos que Lázaro, ao morrer, fora levado pelos anjos para o céu, tal como aconteceu com o outro Lázaro, o mendigo (Lc 16.22).

Segundo, sempre que a Bíblia fala em dormir está se referindo, metaforicamente, ao corpo, porquanto a parte imaterial do homem não morre, nem dorme. O corpo do malfeitor arrependido ficou "dormindo", mas seu espírito foi para o céu (Lc 23.43).

O conceituado Dicionário VINE nos oferece uma clara definição do termo grego koimaomai-dormir: "É usado acerca do "sono" natural (Mt 28.13); da morte do corpo, mas só daqueles que são de Cristo...; dos santos que partiram antes da vinda de Cristo (Mt 27.52; At 13.36); de Lázaro, enquanto Jesus ainda estava na terra (Jo 11.11). Este uso metafórico da palavra sono é apropriado por causa da semelhança na aparência entre um corpo dormente e um corpo morto; tranqüilidade e paz normalmente caracterizam ambos. O objetivo da metáfora é sugerir que assim como aquele que dorme não deixa de existir enquanto o corpo dorme, assim a pessoa morta continua a existir, apesar de sua ausência da região na qual aqueles que ficaram podem ter acesso ao corpo morto, e que, assim como sabemos que o sono é temporário, assim será a morte do corpo. É evidente que só o corpo está sob consideração nesta metáfora:
(a) por causa da derivação da palavra koimaomai, de keimai, `deitar-se´;
(b) pelo fato de que no Novo Testamento a palavra ressurreição é usada somente em alusão ao corpo;
(c) porque em Dn 12.2, onde os fisicamente mortos são descritos como `os que dormem no pó da terra', a linguagem é inaplicável à parte espiritual do homem; além disso, quando o corpo volta de onde veio (Gn 3.19), o espírito retorna a Deus que o deu (Ec 12.7). É evidente que a palavra `dormir´, onde é aplicada aos cristãos que partiram, não tem a intenção de transmitir a idéia de que o espírito está inconsciente".

Portanto, o argumento do "sono da alma", como é conhecido, para justificar a visão holística do adventismo, é um dos mais insustentáveis. Somente o corpo fica inconsciente.

O ESTADO DOS MORTOS

Para atestar que os mortos estão inconscientes, os defensores da alma mortal apresentam os seguintes razões: Salmos 94.17, 115.17 e Isaías 38.18, que falam em "silêncio"; Salmos 6.5, fala em "esquecimento"; Eclesiastes 9.5, 6 e 10, de "inconsciência"; Daniel 12.2; Jó 14.12; Salmos 13.3, João 11.11 a 14; 1 Ts 4.13-15, falam de "sono"; Dn 12.13; Ap 6.11; 14.13, falam de "repouso".

Contestação - A Bíblia ensina que ao separar-se do corpo a alma sobrevive e permanece num estado consciente de conhecimento. Portanto, quando a Bíblia fala em silêncio, esquecimento, descanso está se referindo à situação do corpo na sepultura, uma vez que a Palavra não pode contradizer-se. Já examinamos a questão do "sono da alma", em tópico anterior. Os textos citados podem ser esclarecidos unicamente através do exame de 
Eclesiastes 9.5: "Porque os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem coisa nenhuma...a sua memória ficou entregue ao esquecimento".

O próprio Salomão explica onde se dá essa falta de memória dos mortos. Vejam: 
"Tudo o que te vier à mão fazer, faze-o conforme as tuas forças, pois na sepultura, para onde vás, não há obra, nem projetos, nem conhecimento, nem sabedoria alguma" (v.10). Então, a palavra se refere ao corpo morto, inconsciente, que não mais terá qualquer atividade "debaixo do sol" (Ec 9.6), na terra, mas com certeza saberá o que estiver ocorrendo no céu (cf Lc 16.19-31; 2 Co 5.8; Fp 1.13; Ap 6.9).

Por outro lado, de nada adiantaria subir para Deus uma alma inconsciente, morta, sem memória. Mas vejam que Jesus e Estevão entregaram o seu espírito. Não entregaram a sua respiração, o sopro de seus pulmões. Também de nada adiantaria ao ladrão subir para o céu, e lá não gozar conscientemente das bem-aventuranças. Os argumentos da extinção total do ser humano na hora da morte não devem prosperar por falta de embasamento bíblico.

Dito isto, analisemos algumas questões levantadas pelo adventista Dr. Samuele Bacchiocchi, um dos expoentes da Igreja Adventista do Sétimo Dia (IASD), no artigo intitulado "Dualismo e Holismo no Exame da Consciência após a Morte". Suas considerações são um retrato ampliado do pensamento da senhora Ellen Gould White (1827-1915), co-fundadora e profetiza da IASD. Os argumentos e textos bíblicos do Dr. Bacchiochi são, regra geral, os mesmos da referida profetiza, que assegurou o seguinte: "Depois da queda, Satanás ordenou a seus anjos que inculcassem a crença da imortalidade natural do homem" (Ellen, "O Grande Conflito", Edição Condensada, Casa Publicadora Brasileira, S. Paulo, p. 317).

Não se sabe como a profetiza soube o que se passava no reino das trevas. Ora, todos sabemos que os homens morrem, mas sabemos também que todos ressuscitarão, uns para a ressurreição da vida, outros para a ressurreição da condenação" (Jo 5.29). O problema reside em refletirmos a respeito dessa condenação. Os ímpios ressuscitarão para a ressurreição da morte? Ou para receberem a devida punição, 
"e de dia e de noite serão atormentados para todo o sempre" (Ap 20.10)? A imortalidade que defendemos não é a do homem, mas a da alma do homem. Jesus soube muito bem definir o que significa corpo mortal e alma imortal (Mt 10.28).

Mas adiante, Ellen White declara: "Se fosse verdade que a alma passa diretamente para o Céu na hora do falecimento, bem poderíamos anelar mais a morte que a vida" (p. 319). Argumento exatamente igual vem sendo usado pelos admiradores da profetiza.

O apóstolo Paulo sabia que não existe, para os salvos, nenhum espaço de tempo indefinido entre a morte e a vida futura. Vejam: ...
"enquanto estamos no corpo, vivemos ausentes do Senhor; mas temos confiança e desejamos, antes, deixar este corpo, para habitar com o Senhor" (2 Co 5.6,8); "Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho; mas de ambos os lados estou em aperto, tendo desejo de partir e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor" (Fp 1.21,23).

Vejamos os argumentos do Dr. Bacchiocchi:"Não existe na Bíblia qualquer dicotomia entre um corpo mortal e uma alma imortal que "se separa" quando da morte. Tanto o corpo quanto a alma são unidades indivisíveis que deixam de existir ao tempo da morte, até a ressurreição".Não procede tal tese. Ocorre exatamente o contrário. Na morte, há uma separação. Corpo e alma são unidades divisíveis. Conquanto o corpo se corrompa no pó, a alma, dada por Deus, sobrevive. A questão é que na visão holística o que se separa do corpo é o sopro; na visão dualista, o que se separa é a parte imaterial do homem.

"Abandonar o dualismo também provoca o abandono de todo um conjunto de doutrinas que resultam disso, especialmente a acariciada crença na consciência da vida após a morte. Isso pode se chamar "efeito dominó". Se uma doutrina cai, várias cairão junto".Não há como os aniquilistas abandonarem a crença da pena de morte para a alma sem que sofram o "efeito dominó". Abandonariam também a crença da inconsciência da alma, do extermínio dos ímpios, do sono da alma. Todavia, considero ser possível - em prol da liberdade de pensamento -, que um adventista se convença do ensino bíblico da imortalidade da alma, e continue adventista.

"O evangelho não nos dá base para uma doutrina de redenção que salva a alma à parte do corpo ao qual pertence. A comissão evangélica não é salvar almas, mas pessoas inteiras".Os evangélicos não ensinam o contrário. A redenção contempla o homem, corpo e alma. Para isso ocorre a ressurreição do corpo. É o corpo físico que ressurge. O mortal se revestirá de imortalidade (1 Co15.53-54). "...gememos, aguardando a redenção do nosso corpo" (Rm 8.23). As almas imortais não precisam ser revestidas de imortalidade. Elas estão num lugar de descanso, ou num lugar de tormento (Lc 16.19-31). Na ressurreição a alma volta a unir-se ao corpo e o homem retorna à situação original de ser vivente (cf Rm 8.11).

"Essas crenças têm enfraquecido e obscurecido a expectativa da segunda vinda de Cristo".Não procede o argumento de que a "crença popular" dualista não valoriza a vinda de Cristo, uma vez que as almas dos crentes já estão no céu. A redenção só se completa com a ressurreição do corpo, que está garantida pela ressurreição de Cristo (Mt 28.6; At 17.31; 1 Co 15.12,20-23). A ressurreição do corpo é necessária:
(a) porque o corpo é parte essencial e total da personalidade do homem (Rm 8.18-25);
(b) na ressurreição o corpo voltará a ser templo do Espírito (1 Co 6.19);
(c) para vencer a morte, o último inimigo do homem (1 Co 15.26).

"O homem não recebeu uma alma de Deus; ele foi feito uma alma vivente. Os animais também foram feitos "almas viventes" (Gn 1:20, 21, 24, 30; 2:19), contudo, não foram criados à imagem de Deus".
Entenda-se "almas viventes" como criaturas viventes ou seres viventes que têm vida, que respiram vivem e se movem. Há, sim, uma grande diferença na forma como Deus criou homens e animais. Somente o homem recebeu o sopro de Deus em suas narinas (Gn 2.7). Isto é muito significativo. Para que os animais respirassem e vivessem não foi necessário o sopro de Deus. O respirar faz parte da mecânica do ser vivente. Os homens possuem algo provindo do seu eterno e imortal Criador. Esse algo se chama alma. Homens e animais se assemelham na morte porque os corpos de um e de outro descem ao pó e são consumidos. Mas com relação aos animais não se diz que o "espírito volta a Deus, que o deu" (Ec 12.7).

"O que retorna para Deus não é a alma imortal humana, mas o Espírito divino que transmite vida e que nas Escrituras são igualadas ao fôlego de Deus: "Se Deus. . . recolhesse o seu espírito [ruach] e o seu sopro [neshamah], toda carne pereceria juntamente, e o homem retornaria ao pó" (Jó 34:14-15). O paralelismo indica que o fôlego de Deus é o Seu Espírito transmissor de vida".Vejamos a versão Trinitariana: 
"Se ele pusesse o seu coração contra o homem, e recolhesse para si o seu espírito e o seu fôlego, toda a carne juntamente expiraria, e o homem voltaria para o pó" (Jó 34.14-15). ...

O Espírito de Deus é Deus. O Espírito Santo é Deus. Não faz sentido dizer que o Espírito divino retorna para Deus. Na verdade, o texto nos diz que se Deus não amasse a humanidade ["pusesse seu coração contra o homem"], e tirasse o fôlego de todos e o espírito que nos foi doado, todos pereceriam. A passagem não serve como argumento para defender a mortalidade da alma.

A afirmação de que quem "retorna para Deus não é a alma imortal humana, mas o Espírito divino que transmite vida e que nas Escrituras são igualadas ao fôlego de Deus", é uma velada negação do Espírito Santo como terceira pessoa da Trindade. As testemunhas de Jeová dizem que o Espírito é uma força, uma energia.

"Quando, porém, o sopro se vai, tornam-se almas mortas. Isso explica porque a Bíblia freqüentemente se refere à morte humana como a morte da alma (Lv. 19:28; 21:1, 11; 22:4; Nm. 5:2; 6:6,11; 9:6, 7, 10; 19:11, 13; Ag 2:13)".A exemplo de Lv 19.28: "Pelos mortos não dareis golpes na vossa carne; nem fareis marca alguma sobre vós", e Ageu 2.13: "Se alguém vier a tornar-se impuro, por haver tocado um corpo morto...", nenhum dos textos citados diz que a alma morre junto com o corpo. Nada que possa robustecer a tese mortalista está nesses versículos, que apontam para o "corpo" sem vida, morto. No voto de nazireu havia a restrição de não tocar num corpo morto, que transmitia impureza (Nm 6.6). A mesma restrição é admitida pelo profeta Ageu, ao falar aos sacerdotes, porque fazia parte da lei (cf Nm 19.11-14).

"O que distingue os seres humanos dos animais não é a alma, mas o fato de que os seres humanos foram criados à imagem de Deus, isto é, com possibilidades semelhantes às de Deus, não disponíveis aos animais".Uma característica importante, a mais importante, distingue os homens dos animais: somente a respeito dos homens Eclesiastes diz que quando o corpo desce ao pó, o espírito volta a Deus (Ec 12.7). Somente com relação ao homem, Jesus revelou que a sua alma é imortal: "Não tenham medo daqueles que podem matar o corpo e não podem matar a alma" (Mt 10.28a). Portanto, não somos semelhantes aos animais nem na criação, nem na vida, nem na morte.

"Para impedir à humanidade pecadora a possibilidade de "viver para sempre" (Gn 3:22), após a Queda Deus barrou o acesso à árvore da vida (Gn 3:22, 23)". "Após a Queda, Adão e Eva não mais tiveram acesso à árvore da vida (Gn. 3:22-23) e, conseqüentemente, começaram a experimentar a realidade do processo da morte".A alta simbologia da "árvore da vida" não ficará restrita ao conceito da imortalidade. O assunto foi desenvolvido em tópico anterior, onde lembrei que a mesma árvore surge na nova morada dos justos: "Ao que vencer, dar-lhe-ei a comer da árvore da vida, que está no paraíso de Deus (Ap 2.7). A árvore da vida representa a plenitude da vida eterna. A desobediência do homem resultou não na perda da imortalidade de seu espírito, mas em sua morte física e espiritual, como já explicado. A árvore da vida manifesta-se nos dias de hoje para o homem redimido, e estará na Jerusalém celestial, indicando o pleno retorno às condições no Éden.

"A advertência divina (G. 2:17) estabelece uma clara ligação ética entre a vida e a obediência versus morte e desobediência. A natureza humana não foi criada com uma alma imortal, mas com a possibilidade de tornar-se imortal. A desobediência resultou em morte, não apenas para o corpo, mas para a pessoa inteira. Deus não disse: "no dia em que comerdes dela, vossos corpos morrerão enquanto vossa alma sobreviverá num estado desincorporado". Antes, declarou: "Vós", ou seja, a pessoa inteira, "morrereis".A declaração "certamente morrereis" não revela tudo a respeito do complexo ser humano. Aprendemos que na Bíblia, a exemplo do Messias que começou a ser revelado em Gênesis 3.15, as revelações são progressivas, como foi progressiva a revelação a respeito da imortalidade e sobrevivência da alma. Após a queda, Adão experimentou a morte espiritual ao ver-se afastado de Deus, e ficou potencialmente sujeito à morte física.

"Sumariando, a expressão "o homem se tornou uma alma vivente-nephesh hayyah" apenas significa que em resultado do sopro divino, o corpo inanimado fez-se um ser vivente, que respirava--nada menos do que isso. O coração começou a bater, o sangue a circular, o cérebro a pensar, sendo todos os sinais vitais ativados. Declarado em termos simples, "uma alma vivente" significa "um ser vivo", e não "uma alma imortal". O que distingue os seres humanos dos animais não é a alma, mas o fato de que os seres humanos foram criados à imagem de Deus, isto é, com possibilidades semelhantes às de Deus, não disponíveis aos animais."

"Possibilidades semelhantes às de Deus" é uma afirmação dúbia. Quais possibilidades? Poderíamos dizer que uma dessas possibilidades seria a imortalidade. O próprio Deus destacou a alma como o elemento que distingue os homens dos animais. O animal morre, e nada sobrevive; morre o homem, o espírito imortal sobrevive (Ec 12.7; Mt 10.28). Portanto, é exatamente o contrário do que foi dito.

"A Bíblia traz um relatório de sete pessoas que foram levantadas dentre os mortos (1 Reis 17:17-24; 2 Reis 4:25-37; Lucas 7:11-15; 8:41-56; Atos 9:36-41; 20:9-11), mas nenhuma delas teve uma experiência de pós-morte para compartilhar.

"Não existe forma de vida consciente entre a morte e a ressurreição. Os mortos repousam inconscientemente em suas sepulturas até que Cristo os chame no glorioso dia de Sua vinda".
Mais uma vez tenta-se firmar tese com base no silêncio das Escrituras. Não é boa essa hermenêutica. As doutrinas devem ser apresentadas com base no que a Bíblia diz, e não no que ela não diz. Porque a Bíblia não relata experiências pós-morte, então não existe vida espiritual logo após a morte? Poderíamos dizer que os animais também ressuscitam, pois a Bíblia nada diz a respeito.

O argumento acima desconsidera o fato de que Moisés, apesar de haver morrido há mais de mil anos, apareceu em sã consciência e conversou com Jesus na transfiguração, estando presentes Pedro, Tiago e João (Mt 17.1-9). O profeta Elias, que subiu ao céu num redemoinho, também ali estava. O registro da presença de Moisés no monte da transfiguração é bastante para demolir o dogma da inconsciência dos mortos. Na tentativa de contornar mais esse obstáculo, alegam que é possível que Moisés haja ressuscitado, considerando-se que "o arcanjo Miguel, quando contendia com o diabo, e disputava a respeito do corpo de Moisés, não ousou pronunciar juízo de maldição contra ele..." (Jd 9). Mas onde está escrito que Moisés ressuscitou? O que está escrito na Bíblia é que ele morreu e foi sepultado.

Todos os justos que já morreram estão na presença do Senhor, porque "Deus não é Deus de mortos, mas de vivos" (Mt 22.32). Esta é uma declaração da sobrevivência da personalidade após a morte. Entre a morte e a ressurreição os justos continuam como que vivos para Deus, e aguardam o momento glorioso da redenção do corpo, quando enfim a morte será vencida. Leiam: 
"Ora, Deus não é Deus de mortos, mas de vivos, porque para ele vivem todos" (Lc 20.38). A passagem explica que depois que os patriarcas morreram em seu estado corpóreo continuaram vivendo em outro estado.

"Nenhum texto bíblico autoriza a declaração de que a 'alma' é separada do corpo no momento da morte. O ruach, 'espírito', que faz do homem um ser vivente (cf. Gn 2:7), e que ele perde por ocasião da morte, não é, falando-se apropriadamente, uma realidade antropológica, mas um dom de Deus que retorna a Ele ao tempo da morte. (Ec 12:7)".Nesse caso o argumento do silêncio das Escrituras erra o alvo. A visão adventista da inconsciência após a morte assenta-se sobre dois pilares: Gênesis 2.7, "o homem se tornou alma vivente", e Gênesis 2.17, "certamente morrerás". Os dois textos são citados à saciedade no decorrer do artigo sob análise. Em tópico anterior dissertamos sobre essa questão. A expressão "alma vivente" significa um ser que vive, que se move, que respira. O homem é uma alma no sentido em que ele é um ser vivente, uma pessoa, uma personalidade. O próprio Deus, na Pessoa do Filho, que criou o homem e disse "certamente morrerás", e que veio trazer Boas Novas, nos ensinou que o homem possui uma parte imaterial, o espírito, que se separa do corpo na hora da morte (Mt 10.28). Com isso, Jesus deu mais luz ao contido em Eclesiastes 12.7. Ao dizer ao ladrão arrependido: 
"Hoje estarás comigo no paraíso", Jesus não se referia ao "dom de Deus", à vida do malfeitor. Referia-se à sua personalidade, ao seu espírito, parte invisível e imaterial do seu ser. Ele foi recebido no céu pelo Deus dos vivos, e não dos mortos.

"Primeiramente, não há lembrança do Senhor na morte: "Pois na morte [maveth] não há recordação de Ti; no sepulcro quem te dará louvor?" (Sal. 6:5)".

Já comentamos e refutamos diversos textos apresentados como prova de que não há memória na morte. A contestação e explicação está no próprio versículo. É "no sepulcro", onde jaz o corpo, que ocorre a falta de memória.

"Alguns argumentam que a intenção das passagens que acabamos de citar e que descrevem a morte como um estado de inconsciência "não é ensinar que a alma do homem é inconsciente quando ele morre", e sim de que "no estado de morte o homem não mais pode participar nas atividades do mundo presente". Em outras palavras, uma pessoa morta é inconsciente no que concerne a este mundo, mas sua alma é consciente no que concerne ao mundo dos espíritos. O problema com essa interpretação é que tem por base o pressuposto gratuito de que a alma sobrevive à morte do corpo, um pressuposto que é claramente negado no Velho Testamento. Descobrimos que no Velho Testamento a morte do corpo é a morte da alma porque o corpo é a forma exterior da alma".

"Em vários lugares, maveth [morte] é usada em referência à segunda morte. "Dize-lhes: Tão certo como eu vivo, diz o Senhor Deus, não tenho prazer na morte do perverso, mas em que o perverso se converta do seu caminho, e viva. Convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos; pois, por que haveis de morrer, ó casa de Israel" (Ez 33:11; cf. 18:23, 32). Aqui a "morte do ímpio" obviamente não se refere à morte natural que toda pessoa experimenta, mas aquela infligida por Deus no Fim aos pecadores impenitentes. Nenhuma das descrições literais ou referências figuradas da morte no Velho Testamento sugere a sobrevivência consciente da alma ou espírito à parte do corpo. A morte é a cessação da vida para a pessoa integral."

Houve um lamentável equívoco na exposição da idéia. Em primeiro lugar, por que buscar apoio somente no Velho Testamento? A Palavra de Deus não se estende ao Novo Testamento? Segundo, o texto citado como exemplo não dá suporte à eliminação do corpo e alma juntos. As lentes dos aniquilacionistas enxergam extermínio em qualquer tipo de morte. Mas não é bem assim. Adão morreu, mas não foi exterminado. Nós morremos em Adão, por causa de sua desobediência (1 Co 15.22); os crentes morrem para o pecado, isto é, afasta-se de toda associação espiritual com o sistema pecaminoso do mundo (Rm 6.2; 1 Pe 2;24); morremos de morte natural (Mt 9.24); os ímpios morrem em seus pecados (Jo 8.24).

Vejamos o que diz o verso apresentado como prova: "Dize-lhes: Vivo eu, diz o Senhor Jeová, que não tenho prazer na morte do ímpio, mas em que o ímpio se converta do seu caminho e viva; convertei-vos, convertei-vos dos maus caminhos; pois por que razão morrereis, ó casa de Israel" (Ez 33.11). Em outras palavras, o texto repete Ez 18.20: "A alma que pecar, essa morrerá". Agora, vejamos o que o articulista disse acima:

"Descobrimos que no Velho Testamento a morte do corpo é a morte da alma porque o corpo é a forma exterior da alma".Se a descoberta foi em decorrência dos versículos acima, vê-se claramente que nada foi descoberto. Ezequiel 18.20 e 33.11 falam em morte dos ímpios, isto é, morrem em suas iniqüidades (vv.10,13,18). Não diz que a morte do corpo é a morte da alma, nem diz que se trata de um extermínio nos tempos do fim. A "morte do ímpio" se caracteriza em dois planos:
(a) aqui na terra, pela quebra da comunhão com Deus (Tg 1.15), significando morte espiritual, tal como aconteceu com Adão logo após desobedecer (Gn 3.7-10);
(b) a morte eterna, caracterizada pela separação definitiva e irremediável entre o pecador e Deus, após a ressurreição de que trata Jo 5.29 e Apocalipse 20.5. A morte eterna é entendida como a segunda morte, o lago de fogo - mais adiante explicado -, onde serão atormentados para todo o sempre (Ap 20.10).

"Não há qualquer indicação de que a alma de Lázaro, ou das demais seis pessoas levantadas da morte, tenha ido para o céu. Nenhuma delas teve uma "experiência celestial" para narrar. A razão disso é que nenhuma ascendeu ao céu. Isso é se confirma na referência de Pedro a Davi em seu discurso no dia de Pentecoste: "Irmãos, seja-me permitido dizer-vos claramente, a respeito do patriarca Davi, que ele morreu e foi sepultado e o seu túmulo permanece entre nós até hoje" (Atos 2:29). Alguns poderiam argumentar que o que estava na sepultura era o corpo de Davi, não sua alma que havia ido para o céu. Essa interpretação, porém, é negada pelas explícitas palavras de Pedro: "Porque Davi não subiu aos céus" (Atos 2:34). A tradução de Knox assim reza: "Davi nunca subiu para o céu". A Bíblia de Cambridge traz a seguinte nota: "Pois Davi não ascendeu. . . Ele desceu à sepultura e 'dormiu com os seus pais'". O que dorme na sepultura, segundo a Bíblia, não é meramente o corpo, mas a pessoa integral que aguarda o despertar da ressurreição".O simples fato de não haver relato das "experiências celestiais" não prova nada. Não é boa a hermenêutica que busca apoio no silêncio da Bíblia. Vejamos o contexto em que se insere "Porque Davi não subiu aos céus": "A respeito dele [de Cristo] disse Davi: Porque tu não me abandonaste no sepulcro, nem permitirás que o teu Santo sofra decomposição... Posso dizer que o patriarca Davi morreu e foi sepultado, e o seu túmulo está entre nós até o dia de hoje... Prevendo isso, ele falou da ressurreição do Cristo, que não foi abandonado no sepulcro e cujo corpo não sofreu decomposição. Pois Davi não subiu aos céus..." (At 2.25-34).

Pedro explicou que a afirmação de Davi (Sl 16.10) não se referia ao próprio Davi, e sim a Jesus, que realmente ressurgiu dos mortos. Conclui dizendo que não foi o corpo de Davi que ressuscitou, pois o patriarca morreu e foi sepultado, e o seu túmulo está entre nós até o dia de hoje" (v.29). ... "Porque não foi Davi quem subiu para o céu" (anabainõ-subir, ascender, levantar-se). Que o espírito de Davi foi imediatamente para o céu não há dúvida, à vista das diversas passagens bíblicas aqui citadas, e também porque ele era "homem segundo o coração de Deus" (At 13.22). É da vontade de Deus que os seus, a exemplo de Moisés, Elias, Enoque e o ladrão arrependido subam logo para o céu.

"Porque Deus amou o mundo de tal maneira, que deu o Seu Filho unigênito, para que todo o que Nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (João 3:16). O destino dos que recusam crer é a destruição ("perecer"), e não a salvação universal".No tópico sob o título "extermínio dos ímpios" o assunto foi amplamente analisado e refutados os argumentos contrários. Faz parte da visão dos mortalistas ver extermínio em tudo. O mesmo verbo apollumi-perecer, de João 3.16, é usado, por exemplo, em Romanos 14.15: "Não destruas [ou faças perecer] por causa da tua comida aquele por quem Cristo morreu"; e em 1 Co 8.11: "E, pela tua ciência, perecerá o irmão fraco, pelo qual Cristo morreu". Não se há de admitir que o irmão seja exterminado nesta vida terrena ou depois de ressuscitado. Então, entenda-se "perecer", em João 3.16, como arruinar-se, afastar-se de Deus, perder a fé, perder-se, desviar-se do caminho.

"A solução sensata aos problemas do ponto de vista tradicionalista deve ser encontrada, não por rebaixar ou eliminar o quociente de dor de um inferno literal, mas aceitando-se o Inferno por aquilo que realmente é - a punição final e permanente aniquilamento dos ímpios. Como declara a Bíblia, "Mais um pouco de tempo e já não existirá o ímpio; procurarás o seu lugar, e não o acharás", porque "o destino deles é a perdição" (Fil. 3:19).A tese sobre o aniquilamento está mal formulada ou mal explicada. A morte natural é considerada como aniquilamento? Considerando que os ímpios ressuscitarão (Ap 20.5), a pena capital ocorrerá logo após ressuscitarem? Neste caso, qual seria a finalidade da ressurreição deles? Ressuscitariam, seriam castigados por um tempo de acordo com suas obras, e depois seriam exterminados? Neste caso, não seria melhor não revivê-los? 3

Referindo-se a Ezequiel 33.11, o articulista afirma que a "morte" ali referida "obviamente não se refere à morte natural que toda pessoa experimenta, mas aquela infligida por Deus no Fim aos pecadores impenitentes".

Depreende-se que ao afirmar que "o destino deles é a perdição" o adventismo admite que o extermínio será o do corpo ressurreto, uma vez que não admite a existência de uma alma em sofrimento consciente. Retornamos ao seguinte questionamento: os ímpios reviverão para morrer? Sairão da sepultura para morrerem em seguida? Qual seria a finalidade da ressurreição dos ímpios (Ap 20.5)?

O inferno/lago de fogo e enxofre é lugar de prisão, desprezo, vergonha. Os anjos que pecaram foram lançados no inferno, presos em "abismos tenebrosos" (2 Pe 2.4; cf. Jd 6;cf Ap 20.7). O tormento é eterno, "para todo o sempre" (Ap 20.10).

"Mas não há ressurreição da segunda morte, pois os que a experimentam são consumidos no que a Bíblia chama "o lago de fogo" (Ap. 20:14). Esse será o aniquilamento final".A refutação está no próprio capítulo, 
verso 10: "E o diabo, que os enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde estão a besta e o falso profeta [e para onde irão os ímpios, cf. verso 15]. De dia e de noite serão atormentados, para todo o sempre". Todas as versões consultadas falam num tormento sem fim. O comentário da Bible Online (GILL), assim traduz: "E serão atormentados dia e noite para sempre; quer dizer, não só o diabo, mas a besta e falso profeta, porque a palavra está no plural: e este será o caso de todos os homens maus, de todos os inimigos de Deus e Cristo; é uma prova da eternidade de tormentos do inferno".

"Não há existência independente do espírito ou alma à parte do corpo. A morte é a perda do ser total, e não meramente a perda do bem-estar. A pessoa inteira repousa na sepultura num estado de inconsciência caracterizado na Bíblia como "sono". O "despertar" desse sono terá lugar quando Cristo vier e chamar de volta à vida os santos adormecidos".Então, anulemos tudo aquilo o que na Bíblia define como visão dualista, sobrevivência e consciência da alma após separar-se do corpo. Desprezemos, por exemplo, o relato dos evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas que falam da Transfiguração de Jesus, onde apareceu Moisés, que havia morrido há mais de mil anos (Mt 17.1-8; Mc 9.1-8; Lc 9.28-36). Quem estava ali? Uma saída honrosa seria dizer que era o "sopro" personificado de Moisés ou um fantasma. Nada disso. Era Moisés mesmo, confirmando que na morte a parte imaterial chamada espírito se separa e segue o seu destino: os de Cristo seguem diretamente para o céu. Sobre Moisés, escrevi numa determinada lista de discussão, onde o assunto entrou em debate:


Pensei pudesse receber melhor contribuição dos adventistas, ainda que contrária à minha crença, com relação ao aparecimento do falecido Moisés no monte da Transfiguração. O argumento contrário é bem vindo para que possa refutar com responsabilidade.

O que vi, todavia, foi a alegação de que Jesus não iria participar de uma sessão espírita, haja vista a proibição para tal prática (Is 8.19). Ora, o que está em pauta não é isso. Essa argumentação seria mais válida para ser apresentada por um espírita, em defesa da comunicação com os mortos.

O que sobressai é que a Palavra diz que Moisés, falecido, apareceu no monte da Transfiguração e falou com Jesus. Dizer que isso equivale a uma sessão espírita e que por isso mesmo não pode ser levado em conta, é não encarar de frente a questão.

Mas vamos lá. Na Transfiguração não se caracterizou uma sessão espírita como a conhecemos. Não houve intermediário, um médium entre o morto Moisés e Jesus. Não ocorreram manifestações mediúnicas. Moisés conversou com o Senhor Jesus como se estivesse no céu. Os apóstolos que presenciaram o fato não conversaram com o morto Moisés nem com Elias. Estes e Jesus conversaram entre si.

A Transfiguração (metamorphoõ) de Jesus se caracterizou por uma mudança radical do seu corpo; o termo denota alteração substancial, mudança completa. Então, o Filho de Deus se apresentou ali com a Sua natureza divina plena, da mesma forma como os apóstolos O viram na ascensão. Somente nessa condição falou com o morto Moisés. Não cito Elias porque este não passou pela morte; foi trasladado. Vejam que o rosto de Jesus "resplandeceu como o sol, e as suas vestes se tornaram brancas como a luz" (Mt 17.2).

Menos desastroso argumento, embora natimorto, seria dizer que ali estava o "sopro personificado de Moisés", ou que tudo isso é um simbolismo, que na verdade Moisés quer dizer Lei, e Elias quer dizer profetas. Seriam argumentos completamente refutáveis, mas muito mais dignos do que dizer que não podia ser Moisés porque Jesus não iria participar de uma sessão espírita.

"Como no serviço típico do Dia da Expiação, os pecadores impenitentes eram "eliminados" e "destruídos", assim no cumprimento antitípico do juízo final, os pecadores "sofrerão penalidade de eterna destruição banidos da face do Senhor" (2 Ts 1:9).A palavra "destruição" e as equivalentes perecer, eliminar e aniquilar ocorrem 66 vezes no artigo sob exame. Portanto, estamos realmente diante da doutrina do aniquilacionismo.

... Apõleia-destruição/perdição tem o significado de separação, "perda de felicidade, de bem-estar, não de ser". Poderíamos traduzir assim: "Sofrerão a pena da eterna separação de Deus". .... São expulsos, perdem o privilégio de viverem para sempre com o Senhor. .... Deus elimina e separa? Ora, se vão ser exterminados não há porque separá-los. Os ímpios ficarão eternamente separados.

Em nenhum momento o autor do artigo sobre a visão holística faz qualquer comentário sobre os castigos diferenciados. Como conciliar a doutrina da punição proporcional às faltas cometidas com o conceito holístico o extermínio puro e simples? Ora, a punição diferenciada como resultado do julgamento segundo as obras espelha a reta justiça de Deus. A pena capital nivelaria todas as faltas cometidas. Todos pagariam igualmente com a morte, qualquer que fosse o nível de suas culpas.

Sobre a ressurreição dos ímpios, revela o artigo:

"Mas não há ressurreição da segunda morte, pois os que a experimentam são consumidos no que a Bíblia chama "o lago de fogo" (Ap 20:14). Esse será o aniquilamento final". A Bíblia, contudo, faz uma distinção entre a primeira morte, que todo ser humano experimenta em resultado do pecado de Adão (Rm 5:12; 1 Co 15:21), e a segunda morte experimentada após a ressurreição (Ap 20.5) como salário pelos pecados pessoalmente cometidos (Rm 6.23).Admitem os mortalistas que os ímpios, após ressuscitarem (Jo 5.29; Ap 20.5), serão eliminados. Determinado adventista disse que "a ressurreição do ímpio é o prelúdio de sua destruição". Deus agiria assim para que os ímpios morram "conscientes" de sua punição? Ora, na morte não há consciência. Apesar de já estarem mortos, Deus faria ressurgir bilhões de corpos para em seguida queimá-los no lago de fogo e enxofre. Para quê, se eles já estavam mortos?

O lago de fogo não é uma espécie de matadouro, um lugar de extermínio. É um lugar de vergonha, desprezo, angústia, tristeza por que passarão os que lá estiverem, pelos séculos dos séculos. A mesma expressão grega usada em Apocalipse 20.10, "serão atormentados para eis tous aiõnas ton aiõnõn-todo o sempre", é usada em Hebreus 1.8, referindo-se à duração do trono de Deus, eterno no sentido de interminável; em 1 Pedro 4.11, concercente à Sua glória e domínio para sempre; em Apocalipse 1.8, sobre a eternidade do Cordeiro.

Acompanhem a seguinte seqüência de eventos e comprovem que a "segunda morte" não é uma aniquilação, mas um estado eterno de separação de Deus:
Apocalipse 19.20 - A besta e o falso profeta são lançados vivos no lago de fogo.
Apocalipse 20.2 - Satanás é amarrado por mil anos.
Apocalipse 20.5 - Os outros mortos reviveram após os mil anos.
Apocalipse 20.7 - Satanás será solto da sua prisão.
Apocalipse 20.10 - O diabo foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde estão a besta e o falso profeta. De dia e de noite serão atormentados para todo o sempre.
Apocalipse 20.15 - Serão lançados no lago de fogo todos os não inscritos no livro da vida.
Observem que passados mil anos (Ap 19.20) a besta e o falso profeta ainda se encontravam vivos no lago de fogo (Ap 20.10) e continuarão no mesmo eterno estado de ruína, sendo atormentados dia e noite. Diante das evidências, falece, porque não bíblica, a tese da aniquilação dos ímpios.

"Descobrimos que tanto o Velho quanto o Novo Testamento claramente ensinam que a morte é a extinção da vida para a pessoa integral. Não há lembrança nem consciência na morte (Sl 9:5; 146:4; 30:9; 115:17; Ec 9:5). Não há existência independente do espírito ou alma à parte do corpo. A morte é a perda do ser total, e não meramente a perda do bem-estar. A pessoa inteira repousa na sepultura num estado de inconsciência caracterizado na Bíblia como "sono". O "despertar" desse sono terá lugar quando Cristo vier e chamar de volta à vida os santos adormecido".Sobre o "sono da alma" já discorremos em análise anterior, neste estudo. O simples fato de a Bíblia usar a expressão "dormir" para os crentes mortos não pode ser traduzido como uma declaração de não sobrevivência da alma. Eclesiastes 9.5 deve ser entendido com os versos 6 e 10 seguintes: não há entendimento "debaixo do sol" nem na "sepultura". Nesta, morrem os projetos humanos. Há, sim, vida após a morte, em razão da imortalidade da alma. A vontade dos adventistas e demais contradizentes é que os homens, na morte, sejam iguais aos animais. Todavia, somente no caso dos homens se diz que o corpo desce à sepultura, mas o espírito volta a Deus. Ora, os animais também receberam o fôlego de vida diretamente do Criador. Por que razão ao morrerem seus "espíritos" não se separam?

Salmos 9.5 fala da vitória de Davi sobre os inimigos do Deus de Israel, que pode ser uma alusão aos Amalequitas, quase totalmente aniquilados no reinado de Saul (1 Sm 15.1-9). Os sobreviventes dessa nação inimiga foram exterminados pelo salmista Davi (1 Sm 30). O exemplo não pode servir para estabelecer doutrina sobre o aniquilamento dos ímpios. Nem todos os ímpios são exterminados da mesma forma. A maioria morre de morte natural, como morrem também os justos. O salmista diz que seus nomes estão apagados para sempre. Sim, seus nomes, aqui na terra estão apagados. Serão lembrados na ressurreição (Ap 20.5) para receberem o castigo eterno. Portanto, o exemplo do Salmo 9.5 é inadequado como apoio ao ensino do aniquilamento, quer da alma, quer dos ímpios.

Salmos 146.4, citado pelo adventista, diz que na morte perecem os pensamentos dos homens. A mensagem fala da fragilidade dos propósitos humanos, que em decorrência da morte não conseguem dar-lhe curso. Por isso, o salmista diz para não confiarmos em homens (v. 3), mas depositarmos a nossa esperança no Senhor (v.5). "Naquele dia perecem os seus pensamentos" nada diz sobre a inconsciência do espírito que na morte se separa do corpo.

Salmos 30.9 ressalta uma realidade: "Porventura te louvará o pó?". Trata-se de um "cântico para a dedicação do templo". A palavra hebraica yãdãh-louvar é usada como expressão de adoração, agradecimento ou louvor público-congregacional. Na morte, o salmista estaria impedido de dar testemunho público no meio da congregação (cf. Sl 22.12,22; 35.18). Nesta concepção, somente os vivos louvam (Is 38.18-19). O salmista conclui afirmando: 
"Senhor, Deus meu, eu te louvarei para sempre" (Sl 30.12). Todavia, "as almas dos mortos", cuja redenção ainda não se completou pela ressurreição do corpo, estão no céu louvando a Deus continuamente (Ap 6.9,10; cf Ap 19.4-7).

Quando a Bíblia diz que os mortos não louvam ao Senhor (Sl 115.17) e sua memória jaz no esquecimento (Ec 9.5), está falando de não haver memória neste mundo, mas certamente há memória deste mundo. Salomão esclarece ao dizer que "na sepultura, para onde vais, não há obra, nem projetos, nem conhecimento, nem sabedoria alguma" (Ec 9.10). Na morte, os projetos humanos são findos. A Bíblia ensina que a alma sobrevive à morte num estado consciente de conhecimento.

"Outro bom exemplo se acha em 2 Ts 1:9 onde Paulo, falando a respeito dos que rejeitam o evangelho, declara objetivamente: "Estes sofrerão penalidade de eterna destruição, banidos da face do Senhor e da glória do Seu poder".

Evidentemente a destruição dos ímpios não pode ser eterna em duração porque é difícil imaginar um processo eterno, inconclusivo de destruição. A destruição pressupõe aniquilamento. A destruição dos ímpios é eterna, não porque o processo de destruição continue para sempre, mas porque os resultados são permanentes. Do mesmo modo, os resultados da "punição eterna" de Mat. 25:46 são permanentes. É uma punição que resulta em sua eterna destruição ou aniquilamento".
Entenda-se "destruição eterna" como eternamente arruinados, perdidos, abandonados, banidos da face do Senhor. Estarão destruídos porque separados para sempre do Senhor: ...

O termo olethros-perdição, ruína, destruição é usado no Novo Testamento em quatro casos, e em nenhum deles significa extermínio (1 Co 5.5; 1 Ts 5.3; 2 Ts 1.9; 1 Tm 6.9). Exemplo: 
"Os que querem ficar ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína" (1 Tm 6.9). Na Bíblia, nem sempre a palavra original traduzida como destruir/destruição significa literalmente exterminar ou aniquilar: "O meu povo foi destruído porque lhe faltou o conhecimento...também eu te rejeitarei..." (Os 4.6). Vejam o termo hebraico shahat-destruir com o significado de ser vencido, rejeitado, derrotado, arruinado espiritualmente. Os israelitas eram "destruídos" porque rejeitavam deliberadamente a verdade que Deus lhes revelara através dos profetas e de sua Palavra escrita. Outro exemplo: "Porque no Filho do Homem não veio para destruir [apollumi] as almas dos homens, mas para salvá-las" (Lc 9.56).

Então, banidos da presença de Deus, de sua majestade e glória, estarão em ruína, destruídos, desprezados, envergonhados, punidos com eterno castigo (2 Ts 1.9; Dn 12.2; Mt 25.46; 2 Pe 2.9; Ap 20.10).

"Antes de analisarmos a parábola, precisamos nos lembrar que contrariamente a uma alegoria como O Peregrino, onde cada detalhe conta, os detalhes de uma parábola não têm necessariamente algum significado em si mesmos, exceto como "pontos de apoio" para o relato. A parábola tem o propósito de ensinar uma verdade fundamental, e os detalhes não têm um significado literal, a menos que o contexto indique doutra forma. A partir deste princípio outro se desenvolve, ou seja, somente o ensino fundamental de uma parábola, confirmado pelo teor geral das Escrituras, pode ser legitimamente usado para definir doutrina.

A tentativa de Peterson de extrair três lições da parábola ignora o fato de que a sua principal lição é dada na linha conclusiva: "ainda que ressuscite alguém dentre os mortos" (Luc. 16:31). Esta é a principal lição da parábola, ou seja, nada ou ninguém pode superar o poder convincente da revelação que Deus nos concedeu em Sua Palavra. Interpretar Lázaro e o homem rico como representantes do que ocorrerá aos salvos e perdidos imediatamente após a morte significa querer captar da parábola lições estranhas a sua intenção original.
O articulista fez uma ampla exposição da parábola do rico e Lázaro (Lc 16.19-31), do que extraímos algumas referências, como acima. Em suma, diz que não devemos levar em conta tudo o que foi dito por Jesus. Estabelece como principal lição da parábola "o poder convincente" da Palavra de Deus.

Todos esses argumentos objetivam contornar uma preocupante e incômoda afirmação: 
"Morreu o mendigo [Lázaro] e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão" (Lc 16.22). Simples e bela como uma flor, a afirmação de Jesus atinge em cheio a tese dos mortalistas de completa inconsciência depois da morte e de não sobrevivência da personalidade do homem.

Jesus teria cometido o deslize de causar tremenda confusão entre as gerações futuras ao dizer que três almas - Abraão, Lázaro e o rico - haviam se apartado do corpo, na morte, e estavam, conscientes, em seus devidos lugares, mesmo sabendo que a alma morre com o corpo? Improvável.

Na parábola do rico e Lázaro não há apenas uma verdade. Há várias lições que dela podemos extrair. A primeira, é que na morte o espírito se separa do corpo, e os salvos irão imediatamente para a presença do Senhor (Cf. Ec 12.7; Mt 10.28; Lc 8.55; 23.43,46; At 7.59; Fp 1.21,23; 2 Co 5.1,8; Ap 6.9; 20.14). A segunda, é que o estado de tormento ou de bem-aventurança após a morte é um estado consciente e irreversível. A terceira, é que os espíritos dos mortos não podem sair de onde estão para auxiliar os vivos. A quarta, é que o meio eficaz de salvação é crer em Jesus e na sua Palavra.



 (22.04.2003)
Airton Evangelista da Costa E-Mail: aecosta@secrel.com.br , www.secrel.com.br/usuarios/aecosta 



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